|
TEORIA DA REENCARNAÇÃO
CRISTIANISMO
E ESPIRITISMO
INTRODUÇÃO
Ao estudar
a doutrina espírita, mais especificamente, ao ler o
livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan
Kardec, fiquei perplexo e ao mesmo tempo preocupado
com algumas afirmações ali encontradas, como por
exemplo: "o cristianismo e o espiritismo
ensinam a mesma coisa"; "o espiritismo é
de tradição verdadeiramente cristã";
"no cristianismo se encontram todas as
verdades". No referido livro, diversas citações
bíblicas são analisadas sob o enfoque e a ótica
do espiritismo.
Seguindo
o caminho de Allan Kardec, várias mensagens da Bíblia
Sagrada são citadas pelos espíritas como prova de
que a doutrina espírita tem o apoio da Palavra de
Deus.
Sabe-se
que muitos crentes, principalmente os novos
convertidos, não se encontram preparados para
rebater essas inverdades e investidas contra a
pureza do Evangelho do nosso Senhor e Salvador Jesus
Cristo. Por isso, este trabalho tem por objetivo
esclarecer que espiritismo e cristianismo são
irreconciliáveis e não ensinam a mesma coisa. Por
exemplo, para os espíritas Jesus foi um homem como
outro qualquer, no máximo um grande médium, ou um
espírito puro. Para nós, evangélicos, Jesus é
Senhor; Jesus é o Verbo que desceu de Sua glória e
habitou entre nós.
Tive
a preocupação, também, de analisar várias das
questões levantadas pelos espíritas, nas quais
eles tentam explicar que a Bíblia Sagrada dar
legitimidade à doutrina da reencarnação; da
preexistência da alma; da comunicação dos vivos
com os mortos; da salvação somente pela caridade,
e outras. Que esta leitura lhe seja proveitosa.
"Mas
o Espírito expressamente diz que nos últimos
tempos alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a
espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios"
(1 Timóteo 4.1).
"Mas,
ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie
outro evangelho além do que já vos anunciamos,
seja anátema" [amaldiçoado]
(Gálatas 1.8).
A
bíblia do espiritismo é o Livro dos Espíritos,
escrito em 1857 pelo escritor francês Hyppolyte Léon
Denizart Rivail, conhecido pelo nome de Allan Kardec.
Este livro, segundo seu autor, contém mensagens
recebidas de espíritos desencarnados. Entre 1859 e
1868, escreveu outros livros: O Que é Espiritismo,
O Evangelho Segundo o Espiritismo, A Gênese, Livro
dos Médiuns, Céu e Inferno. Esses compêndios
formam o que se chama codificação da doutrina espírita,
nascendo daí o Espiritismo, denominação criada
pelo referido escritor.
Inúmeras religiões há no mundo e algumas até
defendem princípios e doutrinas ensinados por
outras. É exemplo o ensino budista e hinduísta da
transmigração das almas adotado no espiritismo,
com algumas alterações, com o nome de reencarnação.
Outro exemplo é a absorção, pelo espiritismo, da
teoria evolucionista do inglês Darwin, desenvolvida
no livro A Origem das Espécies, em 1859, na mesma
época em que Kardec escrevia seus livros. Até aqui
nada de anormal nessa colcha de retalhos, não fosse
a moldura que o kardecismo colocou em sua doutrina:
o cristianismo, mais precisamente o Evangelho do
Senhor Jesus.
Assim, difunde-se o "Espiritismo Cristão",
com fachada cristã, com nomenclatura cristã, com
apelos cristãos, mas na verdade nega as doutrinas
do cristianismo. Qual trepadeira enrosca-se o
kardecismo na frondosa árvore do cristianismo, não
para lhe dar vida ou beleza, mas, suponho, para ter
mais credibilidade e sustentação. Os cristãos-evangélicos
denunciamos e rejeitamos, porque falsos, os afagos,
aplausos e palavras doces originários de uma seita
que se compraz, por exemplo, em desonrar a imagem do
nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e negar a
autoridade e inspiração divina das Sagradas
Escrituras, como veremos mais adiante. Assim, o
quadro do espiritismo apresenta uma moldura falsa.
A
MOLDURA
"Mas,
o papel de Jesus não foi o de um simples legislador
moralista, tendo por exclusiva autoridade a sua
palavra. Cabia-lhe dar cumprimento às profecias que
lhe anunciaram o advento; a autoridade lhe vinha da
natureza excepcional do seu Espírito e da SUA MISSÃO
DIVINA" (Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan
Kardec, cap. I, item 4).
"O Cristo foi o iniciador da mais pura, da mais
sublime moral, da moral evangélico-cristã, que há
de renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los
irmãos: que há de fazer brotar de todos os corações
a caridade e o amor do próximo e estabelecer entre
os humanos uma solidariedade comum; de uma perfeita
moral, enfim, QUE HÁ DE TRANSFORMAR A TERRA,
TORNANDO-A MORADA DE ESPÍRITOS SUPERIORES aos que
hoje a habitam"(E.S.E., cap. I, item 9).
"O espiritismo não encerra uma moral diferente
daquela de Jesus" (Livro dos Espíritos, seção
VIII, conclusão).
"Todos os sofrimentos: misérias, decepções,
dores físicas, perda de seres amados, encontram
consolação em a fé no futuro, em a confiança na
JUSTIÇA DE DEUS, QUE CRISTO VEIO ENSINAR AOS
HOMENS" (E.S.E., cap. VI, item 2).
"Espíritas! amai-vos, este o primeiro
ensinamento; instruí-vos, este o segundo. NO
CRISTIANISMO ENCONTRAM-SE TODAS AS VERDADES. São de
origem humana os erros que nele se enraizaram"
(E.S.E., cap. VI, item 5).
"Deus transmitiu a sua lei aos hebreus,
primeiramente por via de Moisés, depois por intermédio
de Jesus"(E.S.E., cap., XVIII, item 2).
"O
Espiritismo diz: Não venho destruir a lei cristã,
mas dar-lhe execução. NADA ENSINA EM CONTRÁRIO AO
QUE ENSINOU O CRISTO, mas desenvolve, completa e
explica, em termos claros e para toda gente, o que
foi dito apenas sob forma alegórica"(E.S.E.,
cap. I, item 7).
"Bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, o
Espiritismo leva aos resultados acima expostos, que
caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão
verdadeiro, POIS QUE UM O MESMO É QUE OUTRO. O
Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas
facilita aos homens a inteligência e a prática da
do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida
aos que duvidam ou vacilam" (E.S.E., cap. XVII,
item 4).
"O
Cristianismo e o Espiritismo ensinam a mesma
coisa" (E.S.E., Introdução, VII).
"O espiritismo é a única tradição
VERDADEIRAMENTE CRISTÃ e a única instituição
verdadeiramente divina e humana" (Obras Póstumas,
Allan Kardec, p. 308).
"O reino de Cristo, ah! passados que são
dezoito séculos e apesar do sangue de tantos mártires,
ainda não veio. Cristãos, voltai para o Mestre,
que vos quer salvar" (E.S.E., cap. I, item 10).
Sobre o apóstolo Paulo: "Meu Deus! Meu Deus!
perdoai-me, creio, sou cristão!" "E desde
então tornou-se um dos mais fortes sustentáculos
do Evangelho" (E.S.E., cap. I, item 11).
"Deus é, pois, a inteligência suprema e
soberana, é único, eterno, imutável, onipotente,
soberanamente justo e bom, infinito em todas as
perfeições, e não pode ser diverso disso" (A
Gênese, p. 60, FEB, 28a Ed., Rio de Janeiro, 1985).
"O Espiritismo é a terceira revelação de
Deus... e os Espíritos são as vozes do Céu"
A primeira revelação de Deus teria sido em Moisés,
e a segunda, em Jesus. (E.S.E. cap.I, item 6).
"Assim, será com os adeptos do Espiritismo.
Pois que a doutrina que professam mais não é do
que o desenvolvimento e a aplicação da do
Evangelho, também a eles se dirigem as palavras do
Cristo" (E.S.E., cap. XXIV, item 16).
"Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos,
observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que
verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma
só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam
a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da
seita a que pertençam" (E.S.E., cap. XV, item
10. Esta mensagem teria sido do desencarnado apóstolo
Paulo - Paris 1860).
"Jesus promete outro Consolador: o Espírito de
Verdade, que o mundo ainda não conhece... O
Espiritismo vem, na época predita, cumprir a
promessa de Cristo... Assim o Espiritismo realiza o
que Jesus disse do Consolador prometido:
conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba
donde vem, para onde vai e por que está na
Terra" (E.S.E., cap. VI, item 4).
Vimos, portanto, as palavras afáveis e elogiosas ao
cristianismo dirigidas. A pintura, todavia, não
guarda sintonia com a moldura. Somente a fachada é
cristã, como veremos a seguir. (O realce nas citações
acima é nosso). O espiritismo tem-se esforçado por
encontrar na Bíblia Sagrada passagens que dêem
sustentação ou legitimidade aos seus ensinos sobre
comunicação com os mortos, preexistência das
almas, reencarnação, salvação somente pela
caridade, mediunidade, pluralidade de mundos
habitados, inexistência de céu, de inferno e de juízo
final, e outros. O principal objetivo deste trabalho
é refutar essas doutrinas e mostrar que o ensino
das Palavra de Deus é totalmente diferente.
A
ORIGEM DO HOMEM
A
PALAVRA DO ESPIRITISMO:
"Da semelhança, que há, de formas exteriores
entre o corpo do homem e do macaco, concluíram
alguns fisiologistas que o primeiro é apenas uma
transformação do segundo. Nada aí há de impossível,
nem o que, se assim for, afete a dignidade do homem.
Bem pode dar-se que corpos de macaco tenham servido
de vestidura dos primeiros espíritos humanos, forçosamente
pouco adiantados, que viessem encarnar na Terra,
sendo essa vestidura mais apropriada às suas
necessidades e mais adequadas ao exercício de suas
faculdades, do que o corpo de qualquer outro animal.
Em vez de se fazer para o espírito um invólucro
especial, ele teria achado um já pronto. VESTIU-SE
ENTÃO DAS PELE DE MACACO, sem deixar de ser espírito
humano, como o homem não raro se reveste da pele de
certos animais, sem deixar de ser homem" (A Gênese,
Allan Kardec, FEB, Rio de Janeiro, 1985, 28a ed., p.
212).
Allan Kardec, como se vê, ficou muito impressionado
com a teoria revolucionista do seu contemporâneo
inglês Charles Robert Darwin (1809-1882), e
resolveu incluí-la na codificação do Espiritismo.
Seus adeptos seguiram-lhe os passos. O espírita
Alexandre Dias, no livro Contribuições para o
Espiritismo (2a ed., Rio de Janeiro, 1950, a partir
da p. 19), além de corroborar o pensamento
kardecista, acrescentou que antes de serem macacos,
os homens foram um mineral qualquer, ou seja, uma
pedra ou um tijolo. Não apenas isso: "A espécie
humana provém material e espiritualmente da pedra
bruta, das plantas, dos peixes, dos quadrúpedes, do
mono (macaco). E, de homem, ascenderá a espírito,
a anjo, indo povoar mundos superiores..."
(Leopoldo Machado, Revista Internacional do
Espiritismo, 1941, Matão, SP, p. 193).
"A espécie humana não começou por um só
homem. Aquele a quem chamais Adão não foi o
primeiro nem o único a povoar a Terra" (Livro
dos Espíritos, Allan Kardec, resposta à pergunta número
50).
A
PALAVRA DO CRISTIANISMO
A teoria da
seleção natural das espécies é contrária ao que
ensina a Bíblia Sagrada. Esta teoria diabólica que
incorpora o pensamento panteísta (Deus é tudo em
todos) é a negação do Deus criador de todas as
coisas. "NO PRINCÍPIO CRIOU DEUS OS CÉUS E A
TERRA". É assim que inicia o primeiro livro da
Bíblia, Gênesis, escrito por Moisés. Com a Sua
palavra, Deus criou a luz, as águas, o firmamento,
a parte seca (a terra), a relva e árvores frutíferas
para "darem frutos segundo a sua espécie";
depois produziu os astros luminosos para iluminarem
a terra; produziu os peixes e as aves, segundo suas
espécies; produziu Deus os animais domésticos, répteis
e animais selvagens conforme a sua espécie.
"Então disse Deus: Façamos o homem à nossa
imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele
sobre os animais domésticos, sobre toda a terra, e
sobre todos os répteis que se arrastam sobre a
terra. Formou o Senhor Deus o homem do pó da terra,
e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida, e o
homem tornou-se alma vivente. Assim Deus criou o
homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou;
macho e fêmea os criou. Viu Deus que tudo o que
tinha feito, e que era muito bom" (Gênesis 1 e
2).
"Porque
primeiro foi formado Adão, depois Eva" (1 Timóteo
2.13).
Como
vimos, depois de fazer a terra e os céus, Deus
criou as matas, as árvores frutíferas, os animais,
e, enfim, o homem. O sopro de Deus no homem formado
do pó representa que a vida é um dom de Deus; que
o homem foi criado para ser moralmente semelhante a
Deus, como expressão do seu amor e glória; para
ter permanente comunhão com Deus. Portanto, não
tem respaldo das Sagradas Escrituras a afirmação
de que a alma humana encontrou morada primeiramente
em animais, e que o homem é conseqüência de uma
seleção natural das espécies. O Senhor Jesus
legitima o livro de Gênesis, ao dizer: "Não
leste que no princípio o Criador os fez macho e fêmea"?
Como poderia a alma humana, nascida do sopro de
Deus, haver se instalado no macaco, criado antes do
homem? Por que então afirmar que espiritismo e
cristianismo ensinam a mesma coisa? Proselitismo,
engodo, mentira, hipocrisia ou leviandade? Moisés
teria escrito uma asneira? Mas como, se o
espiritismo diz que Moisés foi a Primeira Revelação
de Deus? Se as revelações de Deus não sabem o que
afirmam ou mentem, a Terceira Revelação, o
espiritismo, seria uma exceção?
A BÍBLIA
SAGRADA
A
PALAVRA DO ESPIRITISMO:
"A Bíblia não pode ser considerada produto da
inspiração divina. É de origem puramente humana,
semeada de ficções e alegorias, sob as quais o
pensamento filosófico se dissimula e desaparece o
mais das vezes" (Cristianismo e Espiritismo, de
León Denis, p. 130, 5a, FEB).
"Do velho Testamento, já nos é recomendado
somente o Decálogo, e do Novo Testamento, apenas a
moral de Jesus. Já consideramos de valor secundário,
ou revogado e sem valor, mais de 90% do texto da Bíblia"
(FEB, O Reformador, p. 13, janeiro/1953).
"Nem a Bíblia prova coisa nenhuma, nem temos a
Bíblia como probante. O espiritismo não é um ramo
do cristianismo como as demais seitas cristãs. Não
assenta seus princípios nas Escrituras. Não
rodopia junto à Bíblia. A nossa base é o ensino
dos espíritos, daí o nome espiritismo" (À
Margem do Espiritismo, FEB, 3a edição, 1981, p.
2l4).
"A Bíblia, evidentemente, encerra fatos que a
razão, desenvolvida pela ciência, não poderia
hoje aceitar e outros que parecem estranhos e
derivam de costumes que já não são os
nossos" (A Gênese, p. 87, opinião de
"espíritos").
Os evangelistas S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S.
João foram alvo de uma dura crítica do codificador
da doutrina espírita: "Eles possivelmente se
enganaram quanto ao sentido das palavras do Senhor,
ou dado interpretação falsa aos seus
pensamentos..." (A Gênese, p. 386). Contudo,
na tentativa de legitimar seu espiritismo Kardec
buscou a experiência cristã e as palavras dos
evangelistas, principalmente de Mateus, muito citado
no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo. Ademais,
como vimos inicialmente, Kardec declarou que o
espiritismo é de tradição verdadeiramente cristã,
e que no cristianismo estão todas as verdades.
Podemos levar a sério o que o espiritismo diz? O
kardecismo seria muito mais autêntico se se
firmasse em seus próprios pés, na palavra e experiência
de seus "espíritos".
A
PALAVRA DO CRISTIANISMO:
"Toda
Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para
ensinar, para repreender, para corrigir, para
instruir em justiça, a fim de que o homem de Deus
seja perfeito e perfeitamente preparado para toda
boa obra" (2 Timóteo 3.16-17).
Esta
belíssima mensagem é da lavra do apóstolo Paulo,
de quem Allan Kardec disse ter sido "um dos
mais fortes sustentáculos do Evangelho". É o
mesmo Paulo que escreveu 1 Coríntios 13.13,
mensagem plenamente aceita pelo codificador da
doutrina espírita. Podemos dizer que "o
cristianismo e o espiritismo ensinam a mesma
coisa"? No mesmo livro, em 1
Coríntios 15, Paulo empresta o devido valor às
Escrituras Sagradas: "Pois primeiramente vos
entreguei o que também recebi: que Cristo morreu
por nossos pecados, segundo as Escrituras; e que foi
sepultado, e que ressurgiu ao terceiro dia, segundo
as Escrituras".
"Porque
a profecia nunca foi produzida por vontade de homem
algum, mas os homens santos de Deus falaram
inspirados pelo Espírito Santo" (2 Pedro
1.21). O Senhor Jesus confirma a inspiração divina
da Bíblia quando diz:
"Mas
aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai
enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas
e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho
dito" (João 14.26).
"Errais,
não conhecendo as Escrituras, nem o poder de
Deus" (Jesus, Mateus 22.29). Quem assim falou
foi o Senhor Jesus, aquele que veio em "missão
divina" para ensinar a justiça de Deus aos
homens", conforme assim definiu Allan Kardec,
na embalagem do espiritismo. Podemos confiar no
Livro dos Espíritos e nos demais, soprados por
"espíritos" que dizem e se contradizem,
fazem e desfazem, juram e negam? Fiquemos com o
Salmo 119.105: "Lâmpada para os meus pés é a
tua palavra, e luz para o meu caminho".
COMUNICAÇÃO
COM OS ESPÍRITOS
A
PALAVRA DO ESPIRITISMO:
"Graças às relações estabelecidas,
doravante e permanentemente, entre os homens e o
mundo invisível, a lei evangélica, que os próprios
Espíritos ensinaram a todas as nações, já não
será letra morta, porque cada um a compreenderá e
se verá incessantemente compelido a pô-la em prática,
a conselho de seus guias espirituais. As instruções
que promanam dos Espíritos são verdadeiramente as
vozes do céu que vêm esclarecer os homens e convidá-los
à prática do Evangelho" (E.S.E., Allan
Kardec, Introdução, item I).
Vê-se
a nítida propensão do Espiritismo de Kardec de
criar um sincretismo doutrinário envolvendo o
cristianismo. A intenção é revelada também nos
textos de início citados, como por exemplo: "O
Espiritismo é uma tradição verdadeiramente cristã".
Sobre o enunciado acima, podemos dizer que não
foram os Espíritos que ensinaram a lei evangélica;
que esta nunca foi letra morta; que os evangélicos
não têm guias espirituais; que os espíritos não
são canais de comunicação entre Deus e os homens.
A comunicação com os mortos, o esforço de um
estreito relacionamento com os espíritos
desencarnados, e a possibilidade de as almas
retornaram à vida corpórea em corpos diferentes, são
os baluartes da doutrina espírita. Este não é o
Evangelho que os evangélicos pregam. Logo, cristãos
e espíritas não ensinam a mesma coisa. A moldura
é falsa.
A
PALAVRA DO CRISTIANISMO:
"Não haja no teu meio quem faça passar pelo
fogo o filho ou a filha, nem adivinhador, nem
prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem
encantador, nem necromante, nem mágico, nem QUEM
CONSULTE OS MORTOS. o Senhor abomina todo aquele que
faz essas coisas..."(Deuteronômio 18.10-12).
Necromante era o nome dado ao espiritismo de hoje,
isto é, pessoa que invoca os mortos. Abominar
significa rejeitar, detestar, afastar.
Há um ingênuo argumento contra esta Palavra,
segundo o qual não havia como Deus proibir o
espiritismo porque este não existia naquela época.
Então, nenhum mal existe em darmos cheques sem
fundos ou de seqüestrarmos pessoas. Sem maiores
comentários. O espiritismo está sob condenação
divina porque consulta os mortos, tenta manter diálogo
com eles, recebe mensagens de seres espirituais que
dizem ser espíritos desencarnados, e, além disso,
distorce a Palavra de Deus e nega as principais
doutrinas bíblicas. Ademais, quem escreveu os versículos
acima, de Deuteronômio, foi Moisés, a
"Primeira Revelação de Deus", segundo o
espiritismo. Logo...
"Assim morreu Saul (primeiro rei de Israel) por
causa da sua infidelidade ao Senhor. Não guardou a
palavra do Senhor, e até consultou uma
adivinhadora, e não buscou ao Senhor, pelo que ele
o matou, e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé"(1
Crônicas 10.13.14).
Alguns espíritas argumentam que o rei Saul não
participou de uma sessão espírita. Qualquer ritual
que tenha por objetivo contatar espíritos de
pessoas falecidas, exercer a adivinhação e a
mediunidade, qualquer que seja o nome a isto atribuído
- umbanda, candomblé, quiromancia, grafologia,
astrologia, quimbanda, esoterismo, mediunidade -,
enquadra-se no conceito de espiritismo.
A Bíblia diz em 1 Samuel 28.7 que Saul procurou uma
NECROMANTE, isto é, uma mulher que consultava os
mortos, porque ele estava ansioso por uma palavra do
Senhor, que viesse por intermédio do profeta
Samuel, já falecido. O espíritas têm usado esta
passagem para justificar que houve a comunicação
com o espírito Samuel. Enganam-se, pelos seguintes
motivos: 1) Deus não iria favorecer uma prática
por Ele próprio condenada, em função da qual
condenou Saul, conforme Deuteronômio 18.10-12, e 1
Crônicas 10.13-14; 2) Se Samuel fora enviado por
Deus - o espiritismo ensina que Deus só se comunica
com os homens através dos Bons Espíritos -, teria
cumprido com prazer sua missão, e não teria dito a
Saul: - "Por que me inquietaste, fazendo-me
subir"? 3) O espírito maligno que se
incorporou na pitonisa (médium) mentiu ao
profetizar que no dia seguinte Saul e seus filhos
morreriam (1 Samuel 28.19). A morte de Saul não
ocorreu no dia seguinte, e somente três de seus
filhos morreram (1 Samuel 31.2, 6; 1 Crônicas 10.2,
6). Os outros filhos, Is-Bosete (2 Samuel 4.7),
Armoni e Mefibosefe (2 Samuel 21.8) não foram
mortos na batalha contra os filisteus.
"Fez seus filhos passarem pelo fogo no vale do
filho de Hinon, praticou feitiçaria, adivinhações
e bruxaria, e consultou médiuns e adivinhos, fez
muito mal aos olhos do Senhor, provocando-o à
ira"(2 Crônicas 33.6). O trecho refere-se a
Manassés, décimo-quinto rei de Judá. Por estes
pecados, foi levado cativo para a Babilônia.
"Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei...
porém, agora que é morta, por que jejuaria eu?
Poderia eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém
ela não voltará a mim" (Declarações do rei
Davi, referindo-se à morte de sua filha, em 2
Samuel 12.15-23). "Tal como a nuvem se desfaz e
passa, assim aquele que desce à sepultura jamais
tornará a subir. Nunca mais tornará sua casa, nem
o seu lugar jamais o conhecerá" (Jó 7.9-10).
Na parábola do rico e Lázaro, Lucas 16.19-31, o
Senhor Jesus confirma a impossibilidade de os mortos
se comunicarem com os vivos. Em resposta ao rico,
que estava em tormentos e lhe rogava que enviasse Lázaro
aos seus irmãos na Terra, Abraão foi categórico:
"Têm Moisés e os profetas. Ouçam-nos".
Ou seja, seus irmãos possuem os cinco livros de
Moisés (o Pentateuco) e os livros dos profetas.
Devem eles buscar suas verdades, ler essa Escritura
para alcançarem a vida eterna. Mas o rico insistiu:
"Não, pai Abraão, mas se algum dos mortos
fosse ter com eles, arrepender-se-iam". O rico
estava aterrorizado diante do que estava vendo e
sofrendo. Não desejava a mesma coisa para o seu
pior inimigo. Acreditava o rico no testemunho de Lázaro.
Pensava ele que a Lázaro seria concedido sair do
seu lugar para levar a boa mensagem de salvação
aos vivos. Mas Abraão fechou a questão, peremptório:
"Se não ouvem a Moisés e aos profetas,
tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos
volte à vida". Somente um morto terá condições
de falar aos vivos se ressuscitar, ou seja, se o espírito
voltar ao mesmo corpo, e ir pessoalmente levar o
recado. Os destinos desses dois homens, do rico e de
Lázaro, eram irreversíveis. Vê-se que em nenhum
momento Abraão acena com a possibilidade de o
sofrimento do rico ser amenizado.
O kardecismo ensina que Deus se comunica com os
homens somente através dos bons espíritos. Lázaro
representa um bom espírito. O bom espírito Lázaro
não teve permissão de levar boas mensagens aos irmãos
do rico. Ao dizer Abraão que eles tinham as leis de
Moisés e a palavra dos profetas, estava afirmando
que a Palavra é um meio seguro e natural para Deus
falar aos homens.
Quem nos ensinou através dessa parábola foi Jesus,
o mesmo Jesus sobre o qual Allan Kardec disse que
"veio em missão divina de nos ensinar a justiça
de Deus". Vamos recordar o que Kardec disse:
"Mas, o papel de Jesus não foi o de um simples
legislador moralista... a autoridade lhe vinha da
natureza excepcional do seu Espírito e da sua missão
divina. Ele viera ensinar aos homens que a
verdadeira vida não é a que transcorre na Terra e
sim a que é vivida no reino dos céus. Viera
ensinar-lhes o caminho que a esse reino
conduz..." (E.S.E.,
cap. I, item 4). Esta
a moldura. Mais adiante veremos que Kardec desdenha
do ensino de Jesus através de parábolas.
Posicionando-se como tal, merece crédito o
espiritismo? É flagrante o disparate entre a bula e
o remédio. O espiritismo acredita que algumas
passagens bíblicas legitimam a comunicação com os
espíritos de pessoas falecidas. Vejamos:
A
Transfiguração de Jesus
Não houve nesse evento comunicação entre vivos e
mortos, como deduz o espiritismo (Lucas 9.28-36):
1. Não aconteceu ali nenhuma sessão espírita.
Jesus, Pedro, João e Tiago não incorporam espíritos;
2. Aprouve a Deus, na sua infinita sabedoria,
promover aquele evento e oferecer àqueles apóstolos
a feliz oportunidade de verem com seus olhos carnais
o Senhor Jesus na sua glória, a glória que sempre
teve;
3. Também serviu para dar um alento a Jesus, haja
vista a proximidade do seu sacrifício: "Os
quais apareceram com glória e falavam da sua morte,
a qual havia de cumprir-se em Jerusalém"
(Lucas 9.31);
4. Jesus não falou com Moisés e Elias na condição
de homem, ou seja, em corpo humano. Antes, seu corpo
foi transfigurado, transformado num corpo glorioso,
celestial, espiritual. Com igual corpo estavam Moisés
e Elias.
5. Pedro, João e Tiago não conversaram com Moisés
e Elias. Estes falaram com Jesus.
6. Somente após a saída de Moisés e Elias
referidos apóstolos falaram a Jesus (Mateus 17.3;
Marcos 9.4).
7. Demorou pouco tempo a visão que os apóstolos
tiveram da transfiguração de Jesus e da sua
conversa com Elias e Moisés: "E Pedro e os que
estavam com ele estavam 'carregados de sono' e
quando despertaram viram a Sua glória e aqueles
dois varões que estavam com Ele" (Lucas 9.32).
8. Ao que tudo indica, Deus preparou aquele momento
para que os apóstolos não tivessem nenhuma dúvida
da eternidade de Jesus na condição de Deus Filho
ou Filho de Deus. Daí haver o apóstolo João
escrito com tamanha convicção e inspirado pelo Espírito
Santo: "No princípio era o Verbo, e o Verbo
estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no
princípio com Deus. E o Verbo se fez carne e
habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória
do unigênito do Pai, cheio de graça e de
verdade".
A
proibição e a comunicação
É comum a
argumentação de que se Deus proibiu a comunicação
com os mortos é porque ela existia. Em Deuteronômio
18, Deus proíbe a necromancia, a consulta a espírito
adivinhante, a feiticeiro e, mais claramente, a
consulta aos mortos. E diz que essas práticas são
abomináveis, isto é, detestáveis, repreensíveis,
execráveis; e "todo aquele que faz tal coisa
é abominação ao Senhor". Em Isaías 8.19, lê-se:
"Não recorrerá um povo ao seu Deus? A favor
dos vivos interrogar-se-ão os mortos"? Desde a
formação do homem no Éden Deus estabeleceu o
princípio da obediência. Se Deus proíbe qualquer
prática ou ato que tenha por objetivo entrar em
comunicação/comunhão com espíritos de pessoas
mortas, devemos obedecer. Obedecer sem murmurações,
sem levantarmos dúvidas quanto à validade da
proibição. Deus proíbe a tentativa de comunicação,
o ato de se tentar obter, através de adivinhos e
necromantes, certas informações dos espíritos, ou
até mesmo alívio para os males do corpo e da alma.
Deus, na sua infinita sabedoria, sabe dos perigos
envolvidos em tais práticas, porque conhece as
artimanhas do inimigo. Se a invocação dos espíritos
dos mortos fosse bom para os homens, Deus a
aprovaria. Allan Kardec declarou que "Deus só
se comunica com os homens através dos bons espíritos"
(E.S.E. Introdução, VI). Ora, se isto fosse
verdade Deus não proibiria essa comunicação.
Muito pelo contrário.
SATANÁS
E OS DEMÔNIOS
A
PALAVRA DO ESPIRITISMO:
"A palavra daimon, da qual fizeram o termo demônio,
não era, na antiguidade, tomada à má parte, como
nos tempos modernos. Não designava exclusivamente
seres malfazejos, mas todos os Espíritos
superiores, chamados deuses, e os menos elevados, ou
demônios propriamente ditos, que comunicavam
diretamente com os homens. Também o Espiritismo diz
que os Espíritos povoam o espaço; que Deus só se
comunica com os homens por intermédio dos Espíritos
puros, que são incumbidos de lhe transmitirem as
vontades; que os Espíritos se comunicam com eles
durante a vigília e durante o sono. Ponde, em lugar
da palavra demônio, a palavra Espírito e tereis a
doutrina espírita; ponde a palavra anjo e tereis a
doutrina cristã"(E.S.E., introdução, item
VI).
"O Espiritismo demonstra que esses demônios
mais não são do que as almas dos homens perversos,
que ainda se não despojaram dos instintos
materiais; que ninguém logra aplacá-los, senão
mediante o sacrifício do ódio existente, isto é,
pela caridade; que esta não tem por efeito,
unicamente, impedi-los de praticar o mal e, sim,
também o de os reconduzir ao caminho do bem e de
contribuir para a salvação deles" (E.S.E.,
cap. XII, item 6).
Num passe de mágica, Allan Kardec transformou demônios
em espíritos desencarnados e maus, e diz que Deus só
se comunica com os homens através dos Espíritos
puros. Por que Deus tardou em revelar a existência
desse veículo de comunicação, somente o fazendo
no século 19? O espiritismo fechou o inferno,
dispensou os demônios e seu chefe, e confia em que
um dia eles possam ser salvos. Enquanto isso, usando
de seu livre-arbítrio, eles ficam por aí matando e
destruindo, ouvindo ou deixando de ouvir o conselho
dos Bons Espíritos. E Deus sem nada poder fazer,
porque impera a Lei do Carma.
A
PALAVRA DO CRISTIANISMO:
"Então,
disse-lhe Jesus: Vai-te Satanás, porque está
escrito: ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele
servirás" (Palavras do Senhor Jesus, Mateus
4.10).
"E
não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado,
esta filha de Abraão, a qual há dezoito anos Satanás
tinha presa"? (Palavras do Senhor Jesus, Lucas
13.16).
"Vós
pertenceis ao vosso pai, o diabo, e quereis executar
o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio,
e não se firmou na verdade, pois não há verdade
nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é
próprio, pois é mentiroso e pai da mentira"
(Palavras do Senhor Jesus, João 8.44).
"E
o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de
fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso
profeta. De dia e de noite serão atormentados para
todo o sempre" (Apocalipse 20.10).
"Como
pode Satanás expulsar a Satanás? Se Satanás se
levantar contra si mesmo, e for dividido, não pode
subsistir. Antes tem fim. (Palavras do Senhor Jesus,
Marcos 4.23-26).
"Sede
sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o diabo, anda
em derredor, rugindo como leão, buscando a quem
possa tragar" (1 Pedro 5.8).
"Quem
comete pecado é do diabo, porque o diabo peca desde
o princípio. Para isto o Filho de Deus se
manifestou: para destruir as obras do diabo"(1
João 3.8).
Satanás,
que significa adversário, é o maior inimigo de
Deus e dos homens. Os demônios são seus servos.
Esses espíritos malignos são mentirosos,
destruidores, perversos, enganadores, malfazejos,
capazes de todos os ardis; capazes, porque
inteligentes, de criar sistemas danosos para a
humanidade; capazes de influenciar homens para criar
doutrinas contrárias à palavra de Deus; são
imitadores de caligrafias e de vozes; levianos,
semeadores de discórdia. São tudo o que Allan
Kardec mencionou (O Evangelho Segundo o Espiritismo,
caps. XXI e XXVIII; Livro dos Médiuns, pp. 272,
281, 282 e 285) e muito mais. A diferença é que o
espiritismo não os classifica como demônios, mas
como espíritos passíveis de recuperação.
Esses seres demoníacos são inteligentes e muito
bem organizados. Antes de sua rebelião contra Deus,
Satanás era um anjo de luz chamado Lúcifer. Vivia
na presença de Deus. Era chamado de "aferidor
de medidas", isto é, aquele que serve de
exemplo; chamado de "protetor", dada a sua
condição de ungido do Altíssimo; era
"perfeito em seus caminhos" porque
destacado dos demais por sua sabedoria e formosura;
era a "estrela da manhã, filha da alva",
título inerente ao significado do nome Lúcifer
("o portador da luz"). Lúcifer encheu-se
de arrogância, vaidade e ambição e desejou ser
"semelhante a Deus", "subir acima das
estrelas e assentar-se no trono do Altíssimo. Em
razão disso perdeu sua pureza e o privilégio de
viver nos céus. Um número incontável de anjos
participaram dessa rebelião e formaram com o seu líder
o exército da maldade. (Isaías 14.12; Ezequiel
28.2, 9; 28.13-17; Mateus 4.1-11; João 8.44; 12.31;
Lucas 12.31; Efésios 6.12; 1 Pedro 5.8; 2 Pedro
2.4; Judas 6; 2 Coríntios 4.4; 1 Tessalonicense
2.18; Apocalipse 12.4-10). O cristianismo ensina
assim.
"Pois
se Deus não poupou os anjos que pecaram, mas,
havendo-os lançado no inferno, os entregou às
cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo"
(2 Pedro 2.4).
"Pois não temos de lutar contra a carne e o
sangue, e, sim, contra os principados, contra as
potestades, contra os poderes deste mundo tenebroso,
contra as forças espirituais da maldade nas regiões
celestes" (Efésios 6.12).
Como
vimos, o cristianismo ensina uma coisa e o
espiritismo, outra. Não se pode confundir galhos
com bugalhos, um bife à milanesa, com um bife ali
na mesa. O real significado das palavras satanás e
demônio, ou a afirmação quanto a existência de
seres malignos vamos encontrar nas palavras do
Senhor Jesus: "Vai-te, Satanás, porque está
escrito: ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele
servirás" (Mateus 4.10). O Senhor Jesus não
se dirigiu a um espírito desencarnado, mau ao
extremo, capaz de tentar perverter o Filho de Deus.
Se o fora, Ele certamente diria: Você por aqui
Manuel, querendo me levar na conversa! Pelo contrário,
o Senhor Jesus sabia com quem estava falando. Ao
chamá-lo pelo nome - Satanás - o Senhor Jesus
identifica, nomeia, aponta, distingue, intitula,
indica, mostra, esclarece, particulariza, dá nomes
aos bois. Mas o espiritismo teria alguma razão para
acreditar nas palavras de Jesus? Certamente.
Recordemos o que Allan Kardec disse a seu respeito,
na moldura:
"O
Cristo foi o iniciador da mais pura, da mais sublime
moral, da moral evangélico-cristã, que há de
renovar o mundo... uma perfeita moral. A autoridade
lhe vinha da natureza excepcional do seu Espírito e
da sua missão divina. O seu papel não foi o de um
simples legislador moralista" (E.S.E., cap. I,
itens 4 e 9).
"Cristo veio ensinar aos homens a justiça de
Deus" (E.S.E.,cap. VI, item 2).
"No cristianismo se encontram todas as
verdades" (E.S.E., cap. VI, item 5).
Como
se vê, não podemos confundir espiritismo com
cristianismo. Este leva em conta o que o Senhor
Jesus ensinou, Ele e seus apóstolos. O espiritismo
deve levar em conta o conteúdo da doutrina espírita,
sua essência, aquilo que julgam haver recebido dos
espíritos, a prática da mediunidade, a comunhão
com espíritos desencarnados, a lei da reencarnação,
a lei do carma, etc. Os evangélicos repelem de
forma enérgica essa tentativa de mistura, de enlaçamento.
A DIVINDADE DE JESUS
A
PALAVRA DO ESPIRITISMO:
"Não obstante, parece que todo o testemunho
recebido dos espíritos avançados mostra apenas que
Cristo era um médium e um reformador da Judéia, e
que agora é um espírito avançado na sexta
esfera" (Dr. Weisse, citado por Hanson, em
Demonology or Spiritualism).
"Cristo
foi um homem bom, mas não poderia ter sido divino,
exceto no sentido, talvez em que todos somos
divinos" (Mensagem de um "espírito",
conforme registro de Raupert em Spiritist Phenomena
and Their Interpretation).
"Das
suas afirmações espontâneas, deve-se concluir que
ele não era Deus, ou que, se disse que era,
voluntariamente e sem utilidade, fez uma afirmação
falsa" (Obras Póstumas, Allan Kardec, p. 132).
A
PALAVRA DO CRISTIANISMO:
"Porque
um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o
principado está sobre os seus ombros, e o seu nome
será; Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte,. Pai da
Eternidade, Príncipe da Paz" (Isaías 9.6).
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava
com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio
com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio
dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. O
Verbo se fez carne, e habitou entre nós. Vimos a
sua glória, a glória como do unigênito do Pai,
cheio de graça e de verdade. Ninguém nunca viu a
Deus, mas o Deus unigênito, que está ao lado do
Pai, é quem o revelou" (João 1.1,2,3,14,18).
"Eu e o Pai somos um" (Declaração de
Jesus, João 10.30). "Disse-lhe Tomé: Senhor
meu e Deus meu"(João 10.28). "Deles são
os patriarcas, e deles descende Cristo segundo a
carne, o qual é sobre todos, Deus bendito
eternamente" (Romanos 9.5). "Ele é o
primogênito de toda a criação"(Colossenses
1.l5).
"Pois nele habita corporalmente toda a
plenitude da divindade" (Colossenses 2.9).
"Ninguém subiu ao céu senão o que desceu do
céu - o Filho do homem" (Palavras do Senhor
Jesus, em João 3.13). Jesus, o "grande médium",
um espírito que alcançou elevado grau de perfeição,
logicamente mediante muitas reencarnações, segundo
o espiritismo, declarou que veio diretamente do céu.
Na moldura de Kardec, Jesus é só moral e justiça.
No pincel da doutrina kardecista, foi um homem capaz
de produzir afirmações falsas, como vimos acima.
Vejamos outras afirmações do Senhor Jesus sobre
Sua divindade:
"Porque
Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que
condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo
por ele" (João 3.17). "Que aconteceria
então se vísseis o Filho do homem subir para onde
primeiro estava?" (João 6.63). "Ainda por
um pouco de tempo estou convosco, e depois vou para
aquele que me enviou"(João 7.33). "Eu o
conheço (o Pai), porque dele sou e ele me
enviou" (João 7.29). "Vim do Pai e entrei
no mundo; agora deixo o mundo e volto para o
Pai"(João 16.28).
"E agora, Pai, glorifica-me em tua presença
com a glória que tinha contigo antes que o mundo
existisse" (João 17.5). "Pois lhes dei as
palavras que tu me deste, e eles as receberam.
Verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram
que me enviaste" (João 17.8).
O próprio Jesus fala de sua eternidade quando diz
que estava na glória do Pai "antes que o mundo
existisse". O espiritismo diz, com blasfêmia,
que essa declaração é mentirosa, falsa, sem muita
utilidade. No exórdio do discurso kadercista, Jesus
é considerado o ensinador divino da mais pura moral
evangélico-cristã e da justiça de Deus. Logo
depois, não passa de um mentiroso que não mede
suas palavras. É fácil detectarmos onde estão a
falsidade e a hipocrisia!
D
E U S - PERDÃO - SALVAÇÃO
A
PALAVRA DO ESPIRITISMO:
Corroborando as idéias do seu contemporâneo
Charles Taze Russel (1852-19l6), fundador da seita
"Testemunhas de Jeová", Allan Kardec, ao
negar a divindade de Jesus, nega, em conseqüência,
a existência da Trindade, isto é, de um Deus
trino, subsistente em três pessoas: Deus Pai, Deus
Filho, Deus Espírito Santo, como ensinam o
cristianismo e a Bíblia Sagrada. O espiritismo
nega, também, a existência de um Deus pessoal,
capaz de perdoar totalmente os pecados dos que a Ele
se chegam com arrependimento. Vejamos:
"Ab-rogamos a idéia de um Deus pessoal"
(The Physical Phenomena in Spiritualism Revealed).
"Deve-se entender que existem tantos deuses
quantas são as mentes que necessitam de um deus
para adorar; não apenas um, dois, ou três, mas
muitos" (The Banner of Light, 03.02.1866).
"Deus é, pois, a inteligência suprema, é único,
eterno, imutável, onipotente, soberanamente justo e
bom, infinito em todas as perfeições, e não pode
ser diverso disso" (A Gênese, Allan Kardec, p.
60).
"Deus é infinito e não pode ser
individualizado, isto é, separado do mundo, nem
subsistir à parte" (Depois da Morte, de León
Denis, p. 114). Esta declaração não está em
sintonia com o pensamento kardecista. Nas questões
de números 14, 15 e 16, do Livro dos Espíritos, é
dito que "as obras de Deus não são o próprio
Deus", ou seja, Deus é um ser distinto de Sua
criação.
Tudo
indica que o pensamento dominante, na doutrina espírita,
é o que considera Deus o Criador de todas as
coisas, mas não envolvido pessoalmente com o mundo.
O mundo estaria sujeito e controlado pelas leis físicas,
pelas leis de causa e efeito, pelas leis naturais
por Ele criadas. Daí o interesse de muitos espíritas
pelo estudo dessas leis. Estas leis também estariam
regulando o aperfeiçoamento dos espíritos
desencarnados. Vejamos o pensamento espírita sobre
salvação, perdão e arrependimento.
"Indeterminada
é a duração do castigo, para qualquer falta; fica
subordinada ao arrependimento do culpado e ao seu
retorno à senda do bem; a pena dura tanto quanto a
obstinação do mal; seria perpétua, se perpétua
fosse a obstinação; dura pouco, se pronto é o
arrependimento. Desde que o culpado clame por
misericórdia, Deus o ouve e lhe faculta esperá-la.
Mas, não basta o simples pesar do mal causado; é
necessária a reparação, pelo que o culpado se vê
submetido a novas provas em que pode, sempre por sua
livre vontade, praticar o bem, reparando o mal que
haja feito... Assim, o Espírito culpado e infeliz
pode sempre salvar-se a si mesmo (o realce é
nosso): a lei de Deus estabelece a condição em que
se lhe torna possível fazê-lo. O que mais das
vezes lhe falta é a vontade, a força, a
coragem" (E.S.E., cap. XXVII, item 21).
Vamos
tentar decodificar o hieróglifo. O espírito que
praticou o mal, em um corpo humano ou não, pode
clamar a Deus por misericórdia. Deus ouve o clamor,
concede misericórdia ao espírito arrependido,
permitindo-lhe receber esta misericórdia quando
quiser ("lhe faculta esperá-la"). Mesmo
tendo recebido de Deus misericórdia, o arrependido
espírito deve, para reparar sua culpa, praticar o
bem ou através dos médiuns ou em vidas corpóreas,
isto é, voltar à Terra em corpo humano (reencarnações).
Mas tudo isso se o espírito julgar conveniente fazê-lo.
Tudo depende dele. Deus não exige nada. Aqui
aparece a figura do Deus pessoal, que ouve e deseja
atender. Mas depois se afirma que as "leis
estabelecem condições". Meditemos: se o espírito
não acreditar em Deus; não aceitar dar duro na
Terra, passar fome, ser aposentado ou lavrador no
sertão de Pernambuco; enfim, se o espírito mau for
ateu e rebelde, então ele continuará fazendo suas
maldades, infernizando a vida dos parceiros,
xingando os bons espíritos e atanazando os terráqueos.
E Deus ficará esperando eternamente por sua boa
vontade, e pela lei do Carma. Sobre a graça de
Deus, assim se expressou Allan Kardec:
..."aquele
que possui a virtude a adquiriu por seus esforços,
em existências sucessivas, despojando-se pouco a
pouco de suas imperfeições. A graça é a força
que Deus faculta ao homem de boa-vontade para se
expungir do mal e praticar o bem" (E.S.E.,
introdução, XVII).
Cristianismo
e espiritismo não falam uma mesma linguagem. Graça
é graça, é favor imerecido. "Porque todos
pecaram e destituídos estão da glória de Deus,
sendo justificados gratuitamente pela sua graça,
pela redenção que há em Cristo Jesus"
(Romanos 3.23-24). Isoladamente, o sofrimento e as
boas obras não justificam os homens perante Deus:
"Todos nós somos como o imundo, e todos os
nossos atos de justiça como trapo da imundícia..."
(Isaías 64.6).
A doutrina espírita ignora a obra expiatória do
Senhor Jesus; despreza, com desdém, o Seu sacrifício
na cruz; nega haver remissão de pecados para os que
O aceitam como Senhor e Salvador; nega a eficácia
da graça e da fé ao admitir que o pecador salva-se
a si mesmo. Vejamos o que escreveu Léon Denis:
"A missão do Cristo não era resgatar com o
seu sangue os crimes da humanidade. O sangue, mesmo
de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém.
Cada qual deve resgatar-se a si mesmo, resgatar-se
da ignorância e do mal. Nada de exterior a nós
poderia fazê-lo. É o que os espíritos, ao
milhares afirmam em todos os pontos do mundo".
Aqui o espiritismo é explícito em afirmar que o
homem não depende de Deus. Para que os
desencarnados clamam a Deus por misericórdia e, em
suas preces, os espíritas lhe pedem para enviar os
bons espíritos?
A
PALAVRA DO CRISTIANISMO:
De Gênesis
a Apocalipse, na Bíblia Sagrada, Deus é
apresentado como um Deus pessoal, que ouve, atende,
perdoa, fala, corrige, disciplina, nomeia, orienta.
O espiritismo ao mesmo tempo em que diz ser Deus
"infinito em suas perfeições", declara
que Deus fez os espíritos rudes e ignorantes. Ao
mesmo tempo em que diz que Deus é onipotente, pode
todas as coisas, não admite que Ele possa perdoar
totalmente os pecados dos que se arrependem.
Deus fala: "E disse Deus: Haja luz; e houve luz
(Gênesis). "Havendo Deus antigamente falado
muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos
profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo
Filho" (Hebreus 1.1 e 2). Deus ouve, perdoa,
responde: "Se o meu povo, que se chama pelo meu
nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e
se converter dos seus maus caminhos, então, eu
ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e
sararei a sua terra" (2 Crônicas 7.14). Deus
tem vontade própria: "Mas o nosso Deus está
nos céus; fez tudo o que lhe agradou (Salmos
115.3). Deus tem sentimentos de misericórdia e de
profundo amor: "Compassivo e piedoso é o
Senhor, lento para a cólera, e abundante em
amor" (Salmos 103.80).
O Deus do cristianismo é onipotente, onipresente,
onisciente, imutável e eterno. É Deus trino, Deus
em trindade, porque nele subsistem três pessoas
distintas: o Pai é Deus; o Filho é Deus; o Espírito
Santo é Deus. Sobre salvação, vejamos o que
ensina a Bíblia:
"Pois é pela graça que sois salvos, por meio
da fé - e isto não vem de vós, é dom de Deus - não
das obras, para que ninguém se glorie" (Efésios
2.8-9).
Quando o cristianismo fala em fé, fala em
arrependimento; em obediência, dedicação pessoal
e fidelidade a Jesus Cristo. Quando fala em graça,
fala na infinita misericórdia imerecida (não por
nossas obras) de Deus derramada sobre os homens. A fé
salvífica - fé em Jesus Cristo - "é a única
condição prévia que Deus requer do homem para a
salvação". A fé, como colocada no versículo
supra, funciona como o leito de um rio. É preciso
que haja um leito (fé) para que as águas (graça)
deslizem e formem o rio.
"Portanto,
agora nenhuma condenação há para os que estão em
Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas
segundo o Espírito" (Romanos 8.1).
"Quem nele crê não é condenado, mas quem não
crê já está condenado, porque não crê no nome
do unigênito Filho de Deus" (João 8.44).
"Na cidade de Davi vos nasceu hoje o Salvador,
que é Cristo, o Senhor" (Lucas 2.11). "Crê
no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo, tu e a tua
casa" (Atos 16.31).
"Em nenhum outro há salvação, pois também
debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os
homens, pelo qual devamos ser salvos" (Atos
4.12).
Quem
morre em Cristo não fica por aí perambulando,
entrando em fila para reencarnar; procurando um médium
para fazer o bem, a fim de pagar seus pecados. Os de
Cristo vão direto para Cristo. Vejam:
"Em
verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso"
(Palavras de Jesus, na cruz, ao ladrão arrependido,
Lucas 23.43). Embora o ladrão tivesse muitos
pecados, Jesus não acenou com a hipótese de serem
necessárias várias reencarnações para que ele
alcançasse a perfeição. Espíritas há
argumentando que essa passagem é do seguinte modo
em outras traduções: "Digo-te hoje: estarás
comigo no paraíso". Esta é uma tradução
burra ou tendenciosa. Ou as duas coisas. O
espiritismo se perde tanto nos remendos e interpretações
que faz da palavra de Deus, para associar sua
doutrina ao cristianismo, que vez por outra chega a
ser hilariante. Jesus, por acaso, poderia ter dito:
Digo-te ontem, ou digo-te amanhã? E mais:
"Mas
de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de
partir e estar com Cristo..." (Filipenses
1.23).
"Mas se andarmos na luz, como ele na luz está,
temos comunhão uns com os outros, e o sangue de
Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo
pecado. Se confessarmos os nossos pecados, ele é
fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos
purificar de toda injustiça" (1 João 1.7, 9).
Quando Deus perdoa não o faz pela metade. Quando
Ele salva não salva pela metade. Todo o sacrifício
necessário à nossa salvação foi feito na cruz do
calvário por Jesus. O povo de Deus não ficará
errante no mundo espiritual, esperando a vez para
ser purificado, pulando de galho em galho à procura
de "mundos ditosos" onde estão os espíritos
puros, como quer o espiritismo. O sacrifício do
Filho de Deus foi completo, perfeito, eficaz e
suficiente. O que nele crê será salvo; O que não
crê já está condenado. Nele somos justificados.
Portanto, o "cristianismo" que Allan
Kardec apresenta não tem origem nas palavras de
Jesus. Contrapondo-se à lei do Carma, à lei do
"salva-se a si mesmo", da negação do
perdão, da salvação somente pela caridade, o
Senhor Jesus responde: "Ora, para que saibais
que o Filho do homem tem na terra autoridade para
perdoar pecados, levanta-te, toma o teu leito e vai
para tua casa" (Mateus 9.6). Bem, quem falou
isso foi Aquele que veio do céu "ensinar a
justiça de Deus aos homens".
Sobre a salvação só pela caridade, como ensina o
espiritismo, necessário algumas explicações.
Ninguém de sã consciência desaprova a caridade, o
fazer o bem, o amar o próximo, o ajudar os
necessitados. Agora, bom lembrar que somos salvos
PARA as boas obras. Não somos salvos PELAS boas
obras. O homem não pode comprar sua própria salvação,
com obras. Vejamos: "Pois é pela graça que
sois salvos, por meio da fé - e isto não vem de vós,
é dom de Deus - não das obras, para que ninguém
se glorie, pois somos feitura sua, criados em Cristo
Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou
para que andássemos nelas" (Efésios 2.8-10).
O homem salvo, ou seja, que crê no Senhor Jesus, na
Sua morte expiatória e ressurreição, e na remissão
dos pecados, este, por ser nova criatura, faz boas
obras. São boas obras - em pensamentos, palavras e
atos - decorrentes da fé no Senhor Jesus. A fé a
que o cristianismo se refere não é a fé na fé.
É a fé no Senhor Jesus. "Mas se é pela graça,
já não é pelas obras; de outra maneira, a graça
já não é graça" (Romanos 11.6). A fé no
Senhor Jesus é evidenciada por nossas obras:
"Mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te
mostrarei a minha fé pelas minhas obras".
"Assim como o corpo sem o espírito está
morto, assim também a fé sem as obras é
morta" (Tiago 2.26). As obras distanciadas da fé,
não decorrentes da fé no Senhor Jesus, não servem
para a salvação. Se a caridade por si só
salvasse, o homem pecador poderia alcançar os
"mundos ditosos" sem depender de Deus, e
de nenhuma espécie de fé. O cristianismo ensina
que a fé salvífica é a fé no Senhor Jesus
Cristo.
CÉU
E INFERNO
A
PALAVRA DO ESPIRITISMO:
"São apenas alegorias (inferno e paraíso). Há,
por toda parte, Espíritos felizes e infelizes.
Contudo como já o dissemos, os espíritos da mesma
ordem se reúnem por simpatia. Mas, quando
perfeitos, podem reunir-se onde queiram. Levamos em
nós mesmos o nosso inferno e o nosso paraíso. O céu
é o espaço universal; são os planetas, as
estrelas, e todos os mundos superiores, onde os Espíritos
gozam de todas as suas faculdades..." (Livro
dos Espíritos, questões 1012, 1016, 10l7).
A
PALAVRA DO CRISTIANISMO:
"O céu
é a morada de Deus e futura morada daqueles que
confiaram no sacrifício de Cristo. Foi criado antes
da Terra com o objetivo de manifestar a glória
divina". "O inferno é lugar de suplício,
penas e açoites, criado por Deus para abrigar as
almas dos iníquos, até que se instaure o Juízo
Final" (Dic.Teológico, Claudionor Andrade,
1997).
"Pois
esperava a cidade (o céu) que tem fundamentos, da
qual Deus é o arquiteto e construtor (Hebreus
11.10). A oração-modelo ensinada por Jesus começa
assim: "Pai nosso que estais nos céus..."
(Mateus 6.9). "Assim diz o Senhor: O céu é o
meu trono, e a terra o estrado dos meus pés"
(Isaías 66.1). "Em verdade te digo que hoje
estarás comigo no paraíso" (Lucas 23.43).
Os "espíritos" que sopraram a doutrina
espírita fecharam o inferno, despediram Satanás e
seus demônios; aboliram o juízo final, e disseram
aos desencarnados: salve-se quem quiser. No
espiritismo o diabo se faz de morto. O céu, assim
como o inferno, é um lugar espiritual separado do
espírito, distinto do espírito. O inferno não se
resume a um sentimento de culpa, ou o céu a um
sentimento de paz, como ensina o espiritismo.
Allan Kardec no seu livro "O Evangelho Segundo
o Espiritismo" declara que o Senhor Jesus veio
à Terra com missão divina de ensinar a justiça de
Deus; implantar e difundir a mais pura e insuperável
moral evangélico-cristã. Esta declaração não é
de nenhum evangélico fanático. É do doutrinador
mor e fundador do espiritismo moderno. Vejamos,
portanto, o que o Senhor Jesus diz sobre inferno:
"E serão lançados (os que cometem iniqüidade)
na fornalha de fogo, onde haverá pranto e ranger de
dentes" (Mateus 13.42, 49, 50). "Melhor é
que entres na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo
duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo
eterno" (João 18.8-b). "Serpentes, raça
de víboras! como escapareis da condenação do
inferno"? (Mateus 23.33).
Os
espíritas poderão, se quiserem, alterar as
palavras do Senhor Jesus, para excluir a
possibilidade de haver inferno e juízo final,
assim: Onde Ele diz vida eterna, leia-se
"eternidade nos mundos ditosos". Onde se lê
condenação, entenda-se condenados a sofrerem
muitas reencarnações. Fornalha de fogo... são
fogos de artifício, pela alegria da chegada de
novos desencarnados para o início de uma nova
caminhada rumo à pluralidade dos mundos. Fogo
eterno? Não é bem assim: é forno terno, brando,
ameno, amoroso. Inferno? Já o vivemos na terra.
Inferno é o peso das culpas. Dia do juízo será o
dia em que todos os desencarnados, que ainda não
expurgaram seus males, tomarão juízo e seguirão
com destino à Divina Luz.
Logo,
a verdade vem à tona sem que seja preciso gastar
muita tinta. A doutrina espírita não combina com a
doutrina cristã.
A propósito, transcrevemos a seguir um trecho do
livro Porque Deus Condena o Espiritismo, de
Jefferson Magno Costa, 3a Edição, 1992, p. 121,
122, em que ironiza alguns aspectos da doutrina espírita:
"Analisando-se a doutrina da reencarnação,
chega-se à conclusão de que o Deus em quem os espíritas
crêem, poderia conversar com eles nos seguintes
termos:
"Ó
meus filhos, não façam coisas erradas, ouviram? Eu
ficaria muito triste com isso. Não gostei do que
andaram fazendo alguns irmãozinhos de vocês. Ora,
meus filhos, mas não é que o Nero, aquele garoto
romano muito do peralta, mandou envenenar seu irmão,
andou fazendo coisas feias com sua própria mãe e
depois mandou matá-la, mandou matar também sua
mulher e milhares de outras pessoas: praticou atos
homossexuais, mentiu, estuprou, tocou fogo em Roma e
jogou a culpa do incêndio sobre os cristãos,
resultando esse ato na morte de milhares deles,
queimados em estacas enquanto Nero passeava em seu
carro à luz das tochas humanas; lançou muitos
cristãos aos cães, enrolados em peles de animais,
e divertiu-se ao vê-los ser despedaçados, jogou
centenas de outros diante de leões famintos, e
depois de praticar inúmeras ações de menino mal
comportado, matou-se, apunhalando-se.
"Vocês não concordam comigo que Nero merece
uma boa punição? Mas não há de ser nada. Eu vou
castigá-lo quando ele encarnar outra vez. Talvez
ele volte como limpador de jaula de leão de circo.
Ah! ele vai morrer de medo dos urros do leão! Assim
estaremos quites! Aí vocês aproveitam pra dar uns
conselhos a ele, e também a Herodes, conforme
Kardec e seus "espíritos" deram a vocês.
"Muitos outros andaram fazendo certas
coisinhas, como estuprar crianças, matar mulheres
indefesas, jogar bebês para cima e apará-los na
ponta de uma lança, mas tudo isso são coisas de
meninos mal educados e 'atrasados', que não se
comportaram direito na reencarnação. Aliás,
aproveito nossa conversa para confessar que estou
com um probleminha aqui. Talvez vocês, como espíritas
inteligentes que são, possam ajudar-me a resolvê-lo.
Estou aqui com uma turma de garotos que merecem um
bom puxão de orelhas, umas palmadas e uns bons
conselhos. Trata-se de Hitler e sua turma de meninos
rebeldes: Eichman, Himmler, Hydrich e outros.
Andaram assassinando aí uns 6.000.000 de judeus, e
praticando certas coisas que nem é bom serem
mencionadas aqui.
"O que é que eu faço com eles? Estive
pensando em reencarná-los e torná-los lavadores de
pratos, jardineiros ou faxineiros de restaurantes
judeus. Aí eles ajustariam contas comigo! Ah! como
eu ia gostar de ver Hitler, Joseph Mengele e toda
aquela turma pagar-me, com uma vassoura ou um
cortador de gramas na mão, as traquinagens que
fizeram na Segunda Guerra Mundial!"
Continuando, diz o referido autor:
"Considerando-se a permissividade e o inadmissível
e absurdo sistema de justiça que o espiritismo
prega aos que se interessam por suas doutrinas,
certamente esse é o "Deus" do
espiritismo, um "Deus" bonachão, só
misericórdia e pequenos castigos, e incapaz de agir
com justiça diante das ações da humanidade".
O ESPÍRITO
SANTO
A
PALAVRA DO ESPIRITISMO:
"Jesus promete outro consolador: o Espírito de
Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não
estar maduro para o compreender, consolador que o
Pai enviará para ensinar todas as coisas e para
relembrar o que o Cristo há dito... O
Espiritismo vem, na época predita, cumprir a
promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito
de Verdade. Ele chama os homens à observância da
lei: ensina todas as coisas fazendo compreender o
que Jesus só disse por parábolas... O Espiritismo
vem trazer a consolação suprema aos deserdados da
Terra... Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus
disse do Consolador prometido: conhecimento das
coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para
onde vai e por que está na Terra" (E.S.E.,
cap. VI, itens 3 e 4).
Em resumo, Kardec diz que o Espírito Santo
prometido é o espiritismo que, através de seus
"espíritos", estará sempre conosco, nos
consolando e nos levando ao conhecimento da verdade.
A
PALAVRA DO CRISTIANISMO:
Allan
Kardec foi infeliz na interpretação acima. O
Consolador prometido não pode ser uma religião ou
um conjunto de práticas ocultistas. Não pode ser e
não é uma instituição, uma seita orientada por
entidades espirituais. O Consolador não são os espíritos.
O Consolador é o Espírito da Verdade, e não o Espírito
de Verdade, como quer o kardecismo. Se os bons espíritos
ou espíritos puros representassem o Consolador, o
Senhor Jesus certamente diria: enviarei os
consoladores, aqueles que estarão sempre convosco,
ensinando todas as coisas através de canalizadores
que receberão o dom do Pai.
"E rogarei ao Pai, e ele vos dará outro
Consolador, para que fique convosco para
sempre" (João 14.16). A palavra
"outro", traduzida do grego allon,
significa "outro da mesma espécie"; e
"consolador", do grego parakletos, tem o
sentido de "alguém chamado para ficar ao lado
de outro para o ajudar". Se o consolador é o
espiritismo, os cristãos do mundo inteiro ainda não
receberam essa promessa. Para recebê-la seria
necessário aderirem ao espiritismo e receberem os
"passes" mediúnicos. Pelo menos, quanto a
mim, o espiritismo não está ao meu lado para me
ajudar em nada. O Senhor Jesus afirmou que quando
Ele fosse, o Consolador viria (João 16.7). Teria
Jesus atrasado o cumprimento de sua promessa por
dezenove séculos, considerando-se a época do
surgimento do espiritismo como o conhecemos hoje? O
Consolador é o Espírito Santo, uma pessoa da
Trindade:
"Mas
aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai
enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas
e vos fará lembrar der tudo quanto vos tenho dito
(João 14.26). O artigo definido "o"
define (desculpe-me pelo óbvio). Logo, o Senhor
Jesus, nessa passagem, diz que Espírito Santo e
Consolador são a mesma Pessoa. O Senhor Jesus
define, nomeia, estabelece, distingue, identifica.
Nada nos leva a deduzir que o Consolador seja uma
doutrina, um conjunto de doutrinas, uma religião,
um espírito ou vários espíritos desencarnados,
bons ou maus.
O
Consolador é o Espírito de Deus (Mateus 3.16); o
Espírito da Verdade (João 14.17); o Espírito da
Profecia (Apocalipse 19.10); Espírito de Vida
(Romanos 8.32); Espírito de Santidade (Romanos
1.4); Espírito de Sabedoria, de Conselho, de
Inteligência, de Poder (Isaías 11.2); Espírito do
Senhor (Isaías 61.1); Espírito do Filho (Gálatas
4.6); Espírito Eterno (Hebreus 9.14); Espírito de
Juízo (Isaías 4.4); Espírito de Graça (Zacarias
12.10). Seus atributos são os mesmos da Divindade:
eternidade (Hebreus 9.14); onipresença (Salmos
139.7-10); onipotência (Lucas 1.35); onisciência
(1 Coríntios 2.10). Vê-se claramente que o Espírito
Santo é uma PESSOA - a terceira - da Trindade.
"Naqueles dias veio Jesus de Nazaré, na Galiléia,
e foi batizado por João no Jordão. Logo que saiu
da água viu os céus abertos, e o Espírito que,
como pomba, descia sobre ele. Então ouviu-se esta
voz dos céus: Tu és o meu Filho amado em quem me
comprazo" (Marcos 1.9-11). Aí temos Jesus (o
Deus Filho;); o Espírito (o Deus Espírito Santo).
e a voz dos céus (o Deus Pai). O cristianismo
ensina que o Espírito Santo guia, reprova, pensa,
fala, intercede, determina, capacita, vivifica,
convence do pecado, nomeia e comissiona ministros, e
habita com os santos. Logo, o Espírito Santo não
é espiritismo, nem o espiritismo é o nosso
Consolador.
"Não sabeis vós que sois o templo de Deus e
que o Espírito de Deus habita em vós" (1 Coríntios
3.16). O espiritismo ou os espíritos não habitam
nos homens. Os "espíritos" possuem os
corpos daqueles que a eles se entregam, se consagram
e lhes obedecem. O Espírito da Verdade não
incorpora em corpos. Os "espíritos" de
verdade do espiritismo, estes sim, possuem os corpos
de suas montarias; comandam a mente dos médiuns,
tornando-os inconscientes, quando em transe. Os
crentes não ficam possessos do Consolador. A
possessão é a posse de um corpo humano por uma
entidade maligna.
Ademais, a Bíblia nos ensina que Jesus Cristo foi
concebido pelo Espírito Santo (Lucas 1.35), foi
ungido pelo Espírito Santo (Atos 10.38), guiado
pelo Espírito Santo (Mateus 4.1), foi cheio do Espírito
Santo (Lucas 4.1). Não se fala aqui em bons espíritos,
espíritos puros ou espiritismo. Allan Kardec falou
de algo que ele desconhecia. Os espiritistas não
podem argüir a insuficiência da Bíblia para a
elucidação do caso, dizendo que nela não
acreditam, porque Allan Kardec usou-a para admitir
que o Consolador prometido é o espiritismo. Também
usou a Escritura em tantos outros casos, no seu
livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, sempre
dando interpretação particular aos textos bíblicos.
Logo, para rebater suas idéias discordantes e
destoantes a única arma é a verdade da Palavra de
Deus. Lembremo-nos do que foi dito: "o
espiritismo não rodopia junto à Bíblia";
"seus princípios não se assentam nos das
Escrituras". Allan Kardec declarou alto e bom
som que "o cristianismo contém todas as
verdades" (?!).
RESSURREIÇÃO
E REENCARNAÇÃO
A
PALAVRA DO ESPIRITISMO:
A espinha dorsal do kardecismo é a crença na
reencarnação, isto é, na possibilidade de as
almas, preexistentes, voltarem à vida corpórea
para purificação, quantas vezes seja necessário.
Preexistência da alma e pluralidade das existências
são termos chaves no ensino reencarnacionista.
Ressurreição é o retorno, à vida, de um corpo
morto, com a mesma alma.
"A
reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus,
sob o nome ressurreição... Designavam pelo termo
ressurreição o que o Espiritismo, mais
judiciosamente, chama reencarnação. Com efeito, a
ressurreição dá idéia de voltar à vida o corpo
que já está morto, o que a Ciência demonstra ser
materialmente impossível, sobretudo quando os
elementos desse corpo já se acham desde muito tempo
dispersos e absorvidos. A reencarnação é a volta
da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro
corpo especialmente formado para ele e que nada tem
de comum com o antigo. A palavra ressurreição
podia assim aplicar-se a Lázaro, mas não a Elias,
nem aos outros profetas. Não há, pois duvidar de
que, sob o nome de ressurreição, o princípio da
reencarnação era ponto de uma das crenças
fundamentais dos judeus, ponto que Jesus e os
profetas confirmaram de modo formal; donde se segue
que negar a reencarnação é negar as palavras do
Cristo" (O Evangelho Segundo Espiritismo, cap.
IV, itens 4 e 16). Note-se que Allan Kardec declara
ser cientificamente impossível a ressurreição,
mas aprova a de Lázaro.
"Com efeito, demonstra a Ciência a
impossibilidade da ressurreição conforme o dogma
vulgar. Se os despojos do corpo humano ficassem
homogêneos, mesmo que dispersos e reduzidos a pó,
ainda poderia compreender-se sua reunião num dado
momento... Sendo a matéria em quantidade definida
e, por outro lado, sendo as suas transformações
indefinidas, como é que cada um dos corpos poderia
ser reconstruído com os mesmos elementos? Eis aí
uma impossibilidade material. Racionalmente é,
pois, inadmissível a ressurreição da carne, a não
ser como uma figura, simbolizando o fenômeno da
reencarnação, e, assim, nada que choque a razão,
nada em contradição com os dados da ciência"
(Livro dos Espíritos, questão 1011).
A
PALAVRA DO CRISTIANISMO:
"E, como aos homens está ordenado morrerem uma
vez, vindo, depois disso, o juízo..." (Hebreus
9.27). O homem não precisa morrer várias vezes
para alcançar a suprema glória de morar no céu e
estar com Cristo. A doutrina da reencarnação nega
o poder de Deus de perdoar totalmente nossos
pecados, e despreza o sacrifício de Jesus na cruz.
Ora, perdão é perdão. Havendo sincero
arrependimento e desejo de não mais pecar, o perdão
de Deus será incondicional. Prova inequívoca disto
é a afirmação de Jesus que disse o seguinte ao
ladrão arrependido, crucificado ao seu lado:
"Em verdade te digo que hoje estarás comigo no
Paraíso" (Lucas 23.43). Com esta afirmação
Jesus confirmou que os salvos - arrependidos,
perdoados e crentes em Jesus -, após a morte,
seguirão imediatamente para o céu ou paraíso.
Aquele ladrão, segundo a doutrina da reencarnação,
teria que passar por uma ou várias vidas corpóreas,
ou seja, sua alma voltaria à vida humana para
expurgar toda nódoa do mal.
Paulo, "servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo,
separado para o evangelho de Deus", declarou em
Filipenses 1.23: "...tenho desejo de partir e
estar com Cristo...". Paulo tinha a certeza de
que não ficaria vagando no espaço à espera de uma
oportunidade para voltar à vida corpórea.
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que
deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que
nele crê não pereça, mas tenha a vida
eterna"(João 3.16). "Perecer" aí
significa morte eterna, que significa eterna separação
de Deus. "Vida eterna" não é uma existência
espiritual cheia de pesar, de sentimentos de culpa,
de dores, de necessidade de retornar à Terra por
uma, duas ou mais vezes para expiação. Para o
kardecismo, vida eterna significa a eternidade
espiritual. Então Jesus teria dito uma bobagem,
porque crendo ou não crendo todos nós iremos viver
nessa eternidade. E Jesus arremata: "Quem nele
crê (no Filho de Deus) não é condenado, mas quem
não crê já está condenado" (João 3.18);
"Se alguém não permanecer em mim, será lançado
fora"(João 15.6). Jesus definiu claramente, em
termos objetivos, a essência do plano de salvação
de Deus para a Humanidade, e quais as condições
estabelecidas. Quem acredita que verdadeiramente Ele
é o Filho de Deus, o Verbo que se fez carne; quem
crê na Sua morte substitutiva; na Sua morte e
ressurreição; na remissão de pecados que há no
Seu sangue; quem O aceita como Senhor e Salvador
pessoal, não é condenado. Não será condenado a
voltar várias vezes à Terra para cumprir pena. Não
será condenado a trabalhos forçados. Lembremo-nos
de que depois da morte vem o juízo (Hebreus 9.27).
"Se
permanecerdes no meu ensino, verdadeiramente sereis
meus discípulos. "Então conhecereis a verdade
e a verdade vos libertará. Se o Filho vos libertar,
verdadeiramente sereis livres" (João 8.31, 32,
36). Ora, o espírito que necessita voltar em carne
para sofrer, não está verdadeiramente livre. Não
se livrou de suas culpas, de seus pecados, do peso
de suas transgressões. Carrega-os consigo. E quem
poderá livrá-lo de uma vez por todas desse peso?
Jesus.
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé;
e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem de
obras, para que ninguém se glorie" (Efésios
2.8). "Pois todos pecaram e destituídos estão
da glória de Deus, e são justificados
gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há
em Cristo Jesus" (Romanos 3.23-24).
Ressurreição
e Milagres
"A
ressurreição dá idéia de voltar à vida o corpo
que já está morto, o que a Ciência demonstra ser
materialmente impossível..." (E.S.E.,
Allan Kardec, cap. IV, item 4). Dito
isto, o espiritismo não acredita na ressurreição
de Jesus.
A
Bíblia registra duas formas de ressurreição:
1) ressurreição do corpo que estava morto, ou
restauração da vida, mas que voltará a morrer. São
sete os casos:
a.
O filho da viúva
de Serepta (1 Reis 17.19-22);
b.
O filho da
sunamita (2 Reis 4.32-35);
c. O
defunto na cova de Eliseu (2 Reis 13.21);
d. A
filha de Jairo (Marcos 5.21-23, 35-43);
e.
O filho da viúva
de Naim (Lucas 7.11-17);
f.
Lázaro (João
11.1-46);
g. Dorcas
(Atos 9.36-43).
2) ressurreição plena, real, para não mais
morrer. Exemplo único: a ressurreição de Jesus
(Mateus 28.1-10; Marcos 16.1-8; Lucas 24.1.12; João
20.1-10; 1 Coríntios 15.4, 20-23). Haverá, ainda,
uma ressurreição coletiva: a dos justos, na
segunda vinda de Jesus (1 Tessalonicenses 4.16-17);
e a dos ímpios, para condenação (Apocalipse
20.5). A Bíblia registra, ainda, uma ressurreição
coletiva ocorrida logo após a morte de Jesus
(Mateus 27.52). Sobre a ressurreição de Jesus,
Paulo assim se expressou:
"Pois primeiramente vos entreguei o que também
recebi: que Cristo morreu por nossos pecados,
segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que
ressurgiu ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E
que foi visto por Cefas, e depois pelos Doze. Depois
foi visto, uma vez, por mais de quinhentos, dos
quais vive ainda a maior parte, mas alguns já
dormem. Depois foi visto por Tiago, depois por todos
os apóstolos, e por último de todos apareceu também
a mim, como a um abortivo" (1 Coríntios
15.3-8). Da mesma forma como Jesus ressuscitou num
corpo celestial e glorioso, os que dormem em Cristo
ressuscitarão quando do Seu retorno à Terra, e os
que estiverem vivos nessa ocasião serão
arrebatados: "Pois o mesmo Senhor descerá do céu
com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da
trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo
ressurgirão primeiro. Depois nós, os que ficarmos
vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas
nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim
estaremos para sempre com o Senhor" (1
Tessalonicenses 4.16-17).
Jesus foi o primeiro a ressuscitar dentre os mortos
(Atos 26.23). "Cristo ressuscitou dos mortos e
foi feito as primícias dos que dormem" (1 Coríntios
15.20). "Eis aqui vos digo um mistério: Na
verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos
transformados; num momento, num abrir e fechar de
olhos... os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e
nós [os que estiverem vivos por ocasião da vinda
de Jesus] seremos transformados" (1 Coríntios
15.51).
Como não é possível explicar cientificamente ou
racionalmente o milagre da ressurreição, o
espiritismo tropeça e não ensina com segurança.
Vejam o que Allan Kardec diz na conclusão do Livro
dos Espíritos, item II: "Que são os milagres?
Não são fatos maravilhosos e sobrenaturais por
excelência, uma vez que, conforme o sentido litúrgico,
são derrogações das leis da natureza? Não cabe
ao Espiritismo examinar se há ou não há milagres;
isto é, se, em certos casos, pode Deus derrogar as
leis eternas, que regem o universo. A tal respeito
ele (o Espiritismo) deixa inteira liberdade de crença".
Ó céus! Se Allan Kardec afirma que o Espiritismo
é a Terceira e última Revelação de Deus; que
Deus só se comunica com os homens através dos Bons
Espíritos; que o Espiritismo é o Consolador
prometido por Jesus para ensinar aos homens todas as
coisas; que o Espiritismo veio dar luz às coisas
obscuras, esclarecer o que foi dito através de
alegorias, etc. , como é que o Espiritismo não
possui os meios necessários para explicar a ocorrência
de milagres?
Entretanto, no capítulo XIX, item 12, do E.S.E.,
Kardec expõe com maior nitidez seu pensamento sobre
milagres: "Entretanto, o Cristo, que operou
milagres materiais, mostrou, por esses milagres
mesmos, o que pode o homem, quando tem fé, isto é,
a vontade de querer e a certeza de que essa vontade
pode obter satisfação. Também os apóstolos não
operaram milagres, seguindo-lhe o exemplo? Ora, que
eram esses milagres, senão efeitos naturais, cujas
causas os homens de então desconheciam, mas que,
hoje, em grande parte se explicam e que pelo estudo
do Espiritismo e do Magnetismo se tornarão
completamente compreensíveis? O Magnetismo é uma
das maiores provas do poder da fé posta em ação.
É pela fé que ele cura e produz esses fenômenos
singulares, qualificados outrora de milagres... prodígios
que não passam de um desenvolvimento das faculdades
humanas".
Em suma, o espiritismo de Kardec nega a operação
de milagres mediante manifestação sobrenatural do
poder de Deus. Seriam efeitos naturais, produto das
leis naturais. Diz que quem cura é o Magnetismo,
que atua através de nossa fé, e que qualquer um
pode operar milagres desde que desenvolva suas
faculdades humanas. Como teria funcionado o
Magnetismo na ressurreição de Lázaro, há quatro
dias sepultado? E a de Jesus, ressuscitado depois de
três dias? No caso de Lázaro, poder-se-ia alegar
que o Magnetismo operou através da fé de Jesus. No
caso de Jesus o Magnetismo teria funcionado
sozinho?! Então, para o espiritismo, Jesus foi um
grande magnetizador, pois deu vista aos cegos,
levantou paralíticos, curou surdos, mudos, leprosos
e outros enfermos, aos milhares.
A ressurreição de Jesus foi o evento mais
importante e extraordinário de toda a história da
humanidade. Nesse milagre, como nos demais, Deus
simplesmente ignorou as leis da natureza; passou por
cima de todas elas, porque Ele é superior à Ciência.
Deus está acima das leis por Ele criadas. As leis
existem, mas Deus pode a qualquer momento mudar-lhes
o curso para a satisfação de seus desígnios. O próprio
Jesus predisse sua ressurreição:
"Vamos para Jerusalém, e o Filho do homem será
entregue aos principais sacerdotes e aos escribas.
Eles o condenarão à morte. E o entregarão aos
gentios para ser escarnecido, açoitado e
crucificado. No terceiro dia ele ressurgirá"
(Mateus 20.18-19). "Mas, depois de eu
ressuscitar, irei adiante de vós para a Galiléia"(Mateus
26.32).
O corpo de Lázaro já cheirava mal, pois estava
sepultado já havia quatro dias. Os elementos físicos
estavam em fase de decomposição, mas Jesus bradou
para que todos ouvissem: "Eu sou a ressurreição
e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto,
viverá; e todo aquele que vive e crê em mim, nunca
morrerá" (João 11.25-26). E apenas disse:
"Lázaro, vem para fora!". E o morto saiu,
tendo as mãos e os pés enfaixados, e o rosto
envolto num lenço.
O próprio Deus responde aos incrédulos:
"Operando eu, quem impedirá?" (Isaías
43.13). Deus não está sujeito à Física, à Ciência,
às leis da natureza. Ele é soberano,
Todo-Poderoso. Se Ele pode dar vida a um corpo que
morreu há quatro dias, também pode ressuscitar
corpos que dormem há mil anos. Ou alguém há que
acredite num Deus limitado? O que é mais fácil:
dar vida a um corpo morto há 500 anos, ou criar o
universo com milhões de galáxias, com bilhões de
estrelas? Olhemos só para o nosso Sistema Solar:
sol, lua, estrelas, marés alta e baixa; noite e
dia; verão, primavera, outono, inverno, tudo
funcionando mais perfeito do que qualquer relógio
suíço. Pois bem, todos ressuscitarão. Uns, para a
vida eterna com Cristo. Outros, para a morte eterna.
Não há explicações científicas para as diversas
manifestações do poder de Deus. Como explicar as
pragas no Egito, para permitir a saída do povo de
Deus? A abertura do Mar Vermelho? O livramento dos
três companheiros de Daniel, jogados numa fornalha?
A ressurreição de Lázaro? A ressurreição de
Jesus? As demais ressurreições? Centenas de outras
manifestações sobrenaturais, como explicar de
forma racional? Na verdade, o ensino do espiritismo
no particular é igual ao do movimento Nova Era: você
é Deus; você pode salvar-se a si mesmo; você pode
operar prodígios com sua mente.
Reencarnação
- Aspectos particulares
"A
reencarnação é a volta da alma, ou espírito, à
vida corporal, mas em outro corpo novamente formado
para ele que nada tem de comum com o antigo"(O
Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap.
IV, item 4). Reencarnar é, literalmente, encarnar
de novo. Segundo o kardecismo, as almas já existem
no espaço entre o céu e a terra; Deus as teria
produzido em grande quantidade. Há um estoque de
almas "simples e ignorantes" esperando a
vez de encarnarem. Daí o termo "preexistência
das almas".
A volta da alma a um corpo humano para sofrer e, com
isso, livrar-se das faltas cometidas em vidas
passadas, seria uma injustiça. Deus seria injusto
se castigasse um ser humano por faltas cometidas por
outro em outra(s) existência(s); e, além disso,
sem o punido ter consciência do mal praticado. Se
assim fosse, evitaríamos até de mitigar o
sofrimento de uma pessoa para não interromper ou
retardar o processo de seu aperfeiçoamento. O
ensino reencarnacionista desqualifica o sacrifício
de Jesus, que morreu em nosso lugar para que, nele
crendo, tivéssemos salvação.
João
Batista e Elias
O
kardecismo afirma que João Batista era a reencarnação
de Elias, e baseia-se na seguinte declaração de
Jesus: "E os seus discípulos o interrogaram,
dizendo: Por que dizem, então os escribas que é
mister que Elias venha primeiro? E Jesus,
respondendo, disse-lhes: Em verdade Elias virá
primeiro e restaurará todas as coisas. Mas digo-vos
que Elias já veio, e não o conheceram, mas
fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles
também padecer o Filho do Homem. Então, entenderam
os discípulos que lhes falara de João Batista
(Mateus 17.10-13). Em outra oportunidade Jesus
falou: "E, se quereis dar crédito, é este o
Elias que havia de vir" (Mateus 11.14). Este é
o prato predileto dos que defendem a reencarnação.
O incongruente é que o Evangelho é verdadeiro nos
casos em que há possibilidade de confirmar a
doutrina espírita. Caso não confirme, é
mentiroso. Ou seja: em alguns casos Jesus fala a
verdade; noutros, é um mentiroso, ou fala
falsamente, ou leva a coisa na brincadeira.
Refutamos a idéia de que João Batista era Elias
reencarnado, pelos seguintes motivos:
1.
A Bíblia
interpreta-se a si mesma. Será que João Batista,
um homem de Deus, escolhido por Deus mesmo antes de
nascer, não teria conhecimento de que no seu corpo
estava o espírito de Elias? Se a crença da
reencarnação fosse assim tão difundida e aceita;
se Jesus fosse um médium, como diz o espiritismo;
se vivessem os apóstolos nesse clima de experiências
espirituais, é claro que algum espírito já teria
revelado tal coisa a João Batista ou ele teria
feito uma regressão. Exemplo disso é o do francês
Léon Hippolyte Rivail que sabia ser ele a reencarnação
dum poeta celta com o nome Allan Kardec. Mas, quando
perguntaram a João Batista se ele era Elias
reencarnado ou não, a resposta foi: "Não
sou" (João 1.21).
2.
O profeta Elias
não passou pela morte física. Seu corpo foi
transformado num corpo glorioso, celestial e
arrebatado, levado para o céu: "Indo eles
andando e falando, de repente um carro de fogo, com
cavalos de fogo, os separou um do outro, e Elias
subiu ao céu num redemoinho" (2 Reis 2.11). A
reencarnação, segundo o kardecismo, tem por
objetivo livrar as almas do peso das culpas, pelo
sofrimento, e proporcionar melhor purificação. Não
teria nenhum sentido o retorno daquele profeta para
sofrer como sofreu João Batista, e ainda ser
decapitado. Elias foi arrebatado vivo, e o
espiritismo não admite a possibilidade de pessoas
vivas reencarnarem. Seria insensatez admitir a existência
do corpo de Elias no corpo de João Batista.
3. Os
judeus julgavam que João Batista fosse Elias
ressuscitado, e não reencarnado. (Lucas 9.7,8 ). Em
certa ocasião admitiram acreditar que Cristo era a
ressurreição de Elias (Lucas 9.7, 9).
4.
Em Malaquias
4.5 lê-se que o profeta Elias ressurgirá para
cumprimento de um ministério especial "antes
que venha o dia grande e terrível do Senhor".
Tal acontecimento escatológico diz respeito à
plenitude dos tempos, certamente na Grande Tribulação
ou pouco antes. Ora, o tempo de João Batista e de
Cristo de maneira nenhuma pode ser assim
considerado.
5. A
profecia que Zacarias ouviu acerca de seu filho João
Batista revelou que "Ele irá adiante dele [de
Jesus] no espírito e poder de Elias" (Lucas
17). Quando Jesus falou "eis aí o Elias tão
esperado", referindo-se a João Batista,
estava, em suma, dizendo que Elias não ressuscitara
como todos esperavam, mas que João Batista iria
desempenhar o papel de precursor do Messias, com a
mesma coragem e espírito de Elias. Expressão análoga
vamos encontrar em 1 Reis 2.15: "O espírito de
Elias repousa sobre Eliseu". Eliseu, momentos
antes de Elias ser arrebatado, disse-lhe: "Peço-te
que haja porção dobrada de teu espírito sobre
mim" (2 Reis 2.9). Isto não significaria que o
espírito de Elias iria encarnar em Eliseu. Na
verdade, este pedira a Deus que lhe permitisse ser
um digno sucessor de Elias, em todos os aspectos.
6.
Por ocasião da
transfiguração de Jesus no monte, quando
apareceram Moisés e Elias, João Baptista já havia
morrido, pois fora decapitado por ordem de Herodes.
Quem deveria aparecer ali seria João Baptista, e não
Elias. Segundo a doutrina reencarnacionista,
apareceria a reencarnação mais recente. Na questão
150 do Livro dos Espíritos lê-se que a alma
"tem um fluído que lhe é próprio, colhido na
atmosfera de seu planeta, e que representa a aparência
de sua última encarnação"
Nascer
de novo
O espiritismo admite que as expressões "nascer
de novo" e "nascer da água e do Espírito",
ditas por Jesus a Nicodemos (João 3.1-21),
confirmam a doutrina da reencarnação. Não é
verdade. "Nascer do Espírito" é
semelhante a "nascer de Deus", ser nova
criatura. Exemplo: "Todos quantos o receberam
deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a
saber: aos que crêem no seu nome; os quais não
nasceram do sangue, nem da vontade do homem, mas de
Deus" (João 1.12-13), e "Se alguém está
em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já
passaram, eis que tudo se fez novo (2 Coríntios
5.17). Portanto, nascer de novo nada tem a ver com a
volta de um espírito desencarnado a um corpo.
Jó
1.21
"Nu saí
do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá".
A
palavra ventre tem o significado, também, de
"interior da terra". Analisemos: "Nu
saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá;
o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o
nome do Senhor" (Jó 1.21). Este versículo
também é usado pelos espíritas para afirmar que a
doutrina da reencarnação é bíblica, ou seja,
"nu voltarei" significaria que Jó, após
sua morte, voltaria à vida corpórea. Essa
interpretação não é verdadeira. Se ele
reencarnasse iria para o ventre de outra mãe. O
sentido correto é que Jó não trouxe nada quando
veio ao mundo, e voltaria sem levar nada. Vejamos:
Em Gênesis 3.19 lemos: "...porquanto és pó e
em pó te tornarás". Paulo escreveu:
"Porque nada temos trazido para o mundo nem
coisa alguma podemos levar dele" (1 Timóteo
6.7). "Como saiu do ventre da sua mãe, assim
nu voltará, indo como veio. Nada tomará do seu
trabalho, que possa levar na sua mão"
(Eclesiastes 5.15) ..."quando morrer, nada
levará consigo, nem a sua glória o acompanhará"
(Salmo 49.17). Então, Jó voltaria nu ao interior
da terra, da mesma forma como saiu, nu, do ventre da
sua mãe. Portanto, nada há nessas passagens que
possa justificar ou legitimar o ensino da preexistência
das almas ou da reencarnação.
Salmo
126.5-6
"Os que semeiam com lágrimas, segarão com cânticos
de alegria. Aquele que leva a preciosa semente,
andando e chorando, voltará com cânticos de
alegria, trazendo consigo os seus molhos".
A
mensagem do referido Salmo está longe de significar
qualquer coisa relacionada com reencarnação. A sua
abordagem não é espiritual; é material. O Salmo
é uma manifestação de alegria pelo fim do
cativeiro babilônico, e retorno à terra natal. Mas
a alegria é mesclada de tristeza e de lágrimas por
ver a terra desolada, a atividade rural quase sem
perspectiva. No verso 4 a oração de confiança no
Senhor: "Restaura a nossa sorte, ó Senhor,
como as correntes do Neguebe [ou as correntes do
sul]", isto é, os riachos temporários da região
árida do sul da Judéia, conhecida como Neguebe.
Aquela gente estava disposta a recomeçar a
atividade rural. Com tristeza ou não, o povo de
Deus estava disposto a semear para mais tarde colher
com alegria os frutos.
Se o entendimento se relacionar com a semeadura de
boas obras, também não encontramos qualquer relação
com reencarnação das almas. Vejamos:
Em Gálatas 6.8 lê-se: "O que semeia na sua
carne, da carne ceifará a corrupção; o que semeia
no Espírito, do Espírito ceifará a vida
eterna". Em Mateus 13.37-43, Jesus diz: "O
que semeia a boa semente é o Filho do homem. O
campo é o mundo, e a boa semente são os filhos do
reino. O joio são os filhos do maligno, e o inimigo
que o semeou é o diabo. A ceifa é o fim do mundo,
e os ceifeiros são os anjos. Mandará o Filho do
homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino
tudo o que causa pecado, e todos os que cometem iniqüidade.
E lançá-los-ão na fornalha de fogo, onde haverá
pranto e ranger de dentes. Então os justos
resplandecerão como o Sol, no reino de seu
Pai". Gálatas 6.9: "E não nos cansemos
de fazer o bem, pois a seu tempo ceifaremos". 2
Coríntios 5.10: "Pois todos devemos comparecer
perante o tribunal de Cristo, para que cada um
receba segundo o que tiver feito [semeado] por meio
do corpo, ou bem, ou mal".
O
espiritismo acredita que haverá várias semeaduras
e várias colheitas. A alma, através do corpo,
plantaria na primeira, na segunda e em outras tantas
encarnações, e a cada uma delas colheria os frutos
do que semeou. Assim continuaria até alcançar o
estado de espírito puro. Essa doutrina é antibíblica.
Se semearmos na carne, isto é, se trabalharmos
apenas para satisfazer as paixões do corpo,
sofreremos na própria vida os danos dessa decisão:
prostituição, impureza, idolatria, feitiçarias,
orgias, bebedices, invejas, etc. Mas se semearmos no
Espírito, isto é, andarmos guiados pelo Espírito
Santo, a Ele submisso, colheremos o que a Bíblia
chama de "fruto do Espírito": amor, paz,
bondade, mansidão, domínio próprio. (Gálatas
5.16-24). Portanto, o que semeia no Espírito ganhará
a vida eterna. A Bíblia fala da grande colheita, no
final dos tempos, na volta de Jesus, quando a igreja
será arrebatada e os mortos, salvos, ressuscitarão.
Jesus disse que a ceifa é o fim do mundo (Mateus
13.37-43). Todos comparecerão diante do Justo Juiz
para colherem conforme o que semearam.
Ezequiel
37.1
"...me pôs no meio de um vale que estava cheio
de ossos... profetizei como ele me ordenara, então
o espírito entrou neles e viveram. Então ele me
disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa
de Israel".
Nenhuma
conotação de reencarnação da alma. De acordo com
os propósitos de Deus, Ezequiel foi arrebatado em
espírito e teve uma visão: ele viu um vale de
ossos secos; e depois de profetizar sobre eles,
ouviu do Senhor a promessa de dar vida a esses
ossos. O próprio Senhor, no verso 11, esclarece o
significado real da visão: "Filho do homem,
estes ossos são toda a casa de Israel".
"Os ossos representam "toda a casa de
Israel", isto é, tanto Israel como Judá, no
exílio, cuja esperança pereceu na dispersão entre
pagãos. Deus mandou Ezequiel profetizar para os
ossos. Os ossos então reviveram em duas etapas: (1)
uma restauração nacional, ligada à terra
(vv.7,8), e (2) uma restauração espiritual, ligada
a fé (vv.9,10). Esta visão objetivou garantir aos
exilados a sua restauração pelo poder de Deus e o
restabelecimento como nação na terra prometida,
apesar das circunstâncias críticas de então (vv.
11-14). Essa restauração teve início no tempo de
Ciro (Esdras 1), mas só terá pleno cumprimento
quando Deus congregar os israelitas na sua terra,
nos tempos do fim, numa ocasião de grande
despertamenrto espiritual. Muitos judeus crerão em
Jesus Cristo e o aceitarão como seu Messias antes
de Ele voltar para estabelecer o seu Reino".
João
9.1-5
"Quem
pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?
Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais, mas
isto aconteceu para que se manifestem nele as obras
de Deus. Devemos fazer as obras daquele que me
enviou enquanto é dia. A noite vem, quando ninguém
pode trabalhar".
Espíritas
há que vêem nesses versículos conotação
reencarnacionista, talvez não explícita, pelo
menos velada. Nenhuma coisa nem outra. Pelo contrário.
Jesus afirma que as nossas boas obras devem ser
feitas enquanto temos vida ("enquanto é
dia"), porque depois da morte ("a noite
vem") ninguém pode trabalhar. E não haverá
outra oportunidade. Os judeus estavam errados em
acreditar que toda enfermidade era resultado de um
pecado cometido pelo enfermo ou por seus
ascendentes. Esta enfermidade, como a de Jó, foi
permitida, dentro dos propósito divino, para
manifestação do poder, do amor e da glória de
Deus. Mas há doenças que têm como causa direta o
pecado. A AIDS é um exemplo. A maioria dos aidéticos
cometeu o pecado do adultério, do sexo fora do
casamento ou do homossexualismo: "E,
semelhantemente, também, os varões, deixando o uso
natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade
uns para com os outros, homem com homem, cometendo
torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que
convinha ao seu erro" (Romanos 1.27). Tal
assertiva foi confirmada por Jesus, quando disse a
um inválido por ele curado: "Olha, agora estás
curado. Não peques mais, para que não te suceda
coisa pior" (João 5.14). Veja-se: aquela
enfermidade de oito anos foi decorrente de pecados
cometidos pelo próprio enfermo, e não por existências
anteriores. Não podemos pagar pelos erros dos
outros. Todavia, os filhos, por má influência,
podem continuar cometendo os mesmos pecados dos
pais, por várias gerações, como veremos a seguir.
Êxodo
20.5
"...visito
a maldade dos pais nos filhos até a terceira e
quarta geração daqueles que me odeiam, e faço
misericórdia até mil gerações daqueles que me
amam e guardam os meus mandamentos".
O
espiritismo vê nessa mensagem uma alusão à
pluralidade de existências, em que os pecadores de
uma geração pagariam pelos descaminhos de gerações
anteriores. Como texto fala "dos pais nos
filhos", teriam os espíritas de admitir que os
filhos seriam necessariamente reencarnações dos
pais, o que é contrário ao ensino kardecista. Ora,
em Êxodo 34.6-7, Deus se revela "tardio em
iras e grande em beneficência"; que
"perdoa a iniquidade, a transgressão e o
pecado"; "que ao culpado não tem por
inocente". E, é lógico, ao inocente não tem
por culpado. Deus castigará "aqueles que me
odeiam", como está no texto. Ademais, a geração
posterior será culpada e castigada se continuar no
pecado; se os filhos, por mau exemplo familiar,
seguirem os passos dos pais, adotando seus hábitos
e procedimentos pecaminosos, sofrerão as conseqüências.
Ainda hoje se vê não uma família apenas, mas nações
inteiras na prática da idolatria e do ocultismo. Não
porque estejam pagando pelos erros dos outros, mas
porque seguiram a mesma tradição, os mesmos hábitos
e costumes dos antepassados. Por isso, o Evangelho
da salvação do nosso Senhor Jesus Cristo deve ser
pregado a toda criatura. Deus oferece a fórmula
para uma reconciliação: "Se o meu povo, que
se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e
buscar a minha face, e se converter dos seus maus
caminhos, então, eu ouvirei dos céus, e perdoarei
os seus pecados, e sararei a sua terra"(2 Crônicas
7.14). O filho não carregará a culpa do pai, salvo
se seguir-lhe o mesmo caminho pecaminoso.
Ezequiel
18.1
"A
alma que pecar, essa morrerá. Sendo um homem justo,
e fazendo juízo e justiça... o tal justo
certamente viverá, diz o Senhor Deus. Se ele gerar
um filho ladrão, derramador de sangue... não viverá
[o filho] porque fez todas estas abominações. Mas
se gerar um filho que veja todos os pecados que seu
pai fez e, vendo-os, não cometer coisas
semelhantes... o tal não morrerá pela maldade de
seu pai; certamente viverá. Seu pai, porque
praticou extorsão, roubou os bens do próximo e fez
o que não era bom... morrerá pela sua própria
maldade. Por que não levará o filho a maldade do
pai? Porque o filho fez juízo e justiça, guardou
todos os meus estatutos, e os praticou, por isso
certamente viverá. A alma que pecar, essa morrerá.
O filho não levará a maldade do pai, nem o pai
levará a do filho. A justiça do justo ficará
sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele.
Mas se o ímpio se converter de todos os seus
pecados que cometeu, e guardar todos os meus
estatutos, e fizer juízo e justiça, certamente
viverá; não morrerá. De todas as suas transgressões
que cometeu não haverá lembrança contra ele.
Tenho eu algum prazer na morte do ímpio? diz o
Senhor Deus. Não desejo antes que se converta dos
seus caminhos e viva? Eu vos julgarei, a cada um
conforme os seus caminhos. Arrependei-vos e
vivei". (v. Jeremias 31.30).
A Palavra acima é o corolário de tudo quanto foi
dito antes, neste trabalho, sobre arrependimento,
perdão, julgamento, salvação e morte eterna.
"Certamente morrerá/viverá" significa
viver a alma eternamente separada de Deus, ou
eternamente com Deus. E esse julgamento será na
plenitude dos tempos. Não sei onde os espiritistas
encontraram nesses versículos algo que possa
confirmar a transferência de culpas de pai para
filho ou de qualquer pessoa para outra. Aquele que
pecar, pagará pelos seus pecados. Não existe maldição
hereditária. A salvação é pessoal. O julgamento
é individual. Os versículos sob análise dão
maior clareza ao que está em Êxodo 20.5
("visito a maldade dos pais nos filhos"),já
comentado, e enfatizam que cada um presta conta de
seus próprios pecados. Outras passagens confirmam o
que acabamos de ler. Vejamos:
Deus
perdoa totalmente: "Ainda que vossos pecados
sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos
como a neve" (Isaías 1.18); "Eu, eu
mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por
amor de mim, e dos teus pecados não me
lembro"(Isaías 43.25); "Pois lhes
perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei
dos seus pecados"(Jeremias 31.34);
"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para
que sejam apagados os vossos pecados..." (Atos
3.19). A prestação de contas é individual, e
haverá o Dia do Juízo: "...todo joelho se
dobrará diante de mim, e toda língua confessará a
Deus. De modo que cada um de nós dará conta de si
mesmo a Deus" (Romanos 14.11-12); "Cada um
morrerá pela sua iniqüidade..."(Jeremias
31.30); "De toda palavra frívola que os homens
proferirem hão de dar contas no dia do juízo"(Mateus
12.36); "Mas hão de dar conta àquele que está
preparado para julgar os vivos e os mortos" (1
Pedro 4.5).
MUNDOS
HABITADOS
"Na
casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse
assim, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos
lugar. Virei outra vez e vos levarei para mim mesmo,
para que, onde eu estiver, estejais vós também"
(Palavras de Jesus, Mateus 14.2-3). Allan Kardec
assim interpretou esta mensagem: "A casa do Pai
é o Universo. As diferentes moradas são os mundos
que circulam no espaço", habitados pelos espíritos.
Refutamos tal interpretação:
1)
A casa de Deus é o céu, e para lá iria Jesus. Ao
ladrão crucificado ao seu lado, Jesus prometeu:
"Hoje estarás comigo no paraíso".
"Assim diz o Senhor: O céu é o meu trono, e a
terra o estrado dos meus pés... não fez a minha mão
todas estas coisas, e assim vieram a existir?"
(Isaías 66.1-2). Aquele ladrão não iria vagar por
muitas encarnações e planetas outros até morar
num "mundo ditoso", como quer o
espiritismo.
2)
Jesus promete voltar para levar os seus para junto
de si: os vivos serão arrebatados, e os mortos,
ressuscitarão (1 Tessalonicenses 4.16-17). Com
isso, a doutrina da reencarnação perde seu
sentido: na Sua volta, como ficariam os
desencarnados que não cumpriram as etapas para
purificação? É evidente que Allan Kardec ignorou
a segunda parte do versículo em que Jesus promete
voltar para ressuscitar os que dormem. Não
estaremos espalhados por vários mundos, mas
reunidos, numa só família, com Cristo. A ressurreição
dos mortos anunciada na passagem acima está de
acordo com Hebreus 9.27: "Aos homens está
ordenado morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo".
Só morremos uma única vez.
PREEXISTÊNCIA
DAS ALMAS
O
espiritismo ensina que as almas, criadas por Deus, já
existem em estado "simples e ignorantes".
Aos poucos vão sendo encaminhadas à Terra para
viverem num corpo humano: "O mundo espírita
preexiste e sobrevive a tudo. Os Espíritos estão
por toda parte; povoam o espaço infinito. Estão
continuamente ao vosso lado, observando e agindo,
malgrado vosso, porque são uma das forças da
natureza e os instrumentos de que Deus se serve para
a realização de seus desígnios
providenciais" (Livro dos Espíritos, questões
85 e 87). A mim me parece que o espiritismo confunde
anjos com espíritos humanos. Em certo debate, um
espírita apresentou uma série de passagens bíblicas,
como a seguir, para justificar a preexistência da
alma. Refutamos do seguinte modo:
Malaquias
3.1
"Eis
que eu envio o meu anjo, que preparará o caminho
diante de mim; e, de repente, virá ao seu templo o
senhor, a quem vós buscais, o anjo do concerto, a
quem desejais; eis que vem, diz o senhor dos exércitos".
A
palavra "ANJO" (hebraico malak; grego
angelos) significa mensageiro. Os anjos são
mensageiros ou servidores celestiais de Deus:
"Não são todos eles espíritos ministradores,
enviados para servir a favor dos que hão de herdar
a salvação"? No versículo sob comento, o
anjo que seria enviado - "envio o meu
anjo" - seria João Batista, ou seja, o
mensageiro João Batista, que viria preparar o
caminho de Jesus, o qual assim se referiu: "João
é aquele de quem está escrito: adiante da tua face
envio o meu anjo, que preparará diante de ti o
caminho" (Mateus 11.10; Marcos 1.2; Lucas
1.76). O "anjo do concerto" é Jesus,
conforme Malaquias 3.5.
Não vejo nessa passagem qualquer vestígio de que a
alma de João Batista estivesse previamente
preparada, guardada no almoxarifado de Deus; salvo
se se queira entender, forçando uma interpretação,
que o anjo encarnou em João Batista. Ora, os anjos
têm funções específicas. Não se transformam em
almas, para, a partir daí, necessitarem de
sucessivas reencarnações. Os anjos - não estamos
falando dos "anjos caídos" - são seres
inteligentes, superiores aos seres humanos (Hebreus
2.6,7); habitam no céu (Marcos 13.32); lutam contra
as forças demoníacas (Apocalipse 12.7-9); protegem
os santos (Salmos 34.7; 91.11); acompanharão a
Cristo quando ele voltar (Mateus 24.30-31); trazem
respostas às orações (Atos 10.4), etc. Os anjos são
seres espirituais distintos dos espíritos humanos.
Portanto, muito longe estão de serem semelhantes às
almas "simples e ignorantes" de Allan
Kardec. A única encarnação de um Espírito
preexistente foi a de Jesus - porque eterno -, para
que o plano de salvação dos homens nEle se
cumprisse. Mas esta é outra história.
Jeremias
1.5
"Antes
que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e,
antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações
te dei por profeta".
Deus
não está limitado ao tempo. Deus, onisciente, tem
o conhecimento de todas as coisas, do ontem ao amanhã,
do início do mundo à plenitude dos tempos. O próprio
Deus assim se revelou: "Eu sou Deus e não há
outro semelhante a mim; que desde o princípio
anuncio o que há de acontecer, e desde a
antiguidade as coisas que ainda não sucederam"
(Isaías 46.9-10). É por isso que há profecias que
falam de um fato futuro como se já tivesse passado.
Vejamos: "Verdadeiramente ele tomou sobre si as
nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre
si. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões.
Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a sua
boca; como cordeiro foi levado ao
matadouro"(Isaías 53.3-7, 700 a.C.)
"Deram-me fel por alimento, e na minha sede me
deram a beber vinagre"(Salmos 69.21. séculos X
a V a.C. ). Logo, antes que Jeremias nascesse Deus já
o conhecia; antes mesmo de sua formação, de sua
concepção. Antes que o espermatozóide atingisse o
óvulo, para dar início a um novo ser humano, Deus
já o chamava pelo nome e preparara para ele um
ministério profético. Expressões equivalentes
foram ditas por Paulo: "Quando, porém, ao que
me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua
graça..."(Gálatas 1.15), e por Davi: "Os
teus olhos viram o meu corpo ainda
informe..."(Salmo 139.16).
Isaías
49.1, 2, 5
"Ouvi-me,
ilhas, e escutai vós, povos de longe! O SENHOR me
chamou desde o ventre, desde as entranhas de minha mãe,
fez menção do meu nome. E fez a minha boca como
uma espada aguda... E, agora, diz o SENHOR, que me
formou desde o ventre para seu servo".
Diz o espiritismo que a mensagem acima dar
legitimidade ao ensino da preexistência das almas.
A profecia está se referindo ao Servo do Senhor,
Jesus Cristo, pelo seguinte: 1) Em "ouvi-me
ilhas", a palavra ilhas representa o mundo, e
"povos de longe" refere-se a todas as gerações.
O ministério profético de Isaías não teria tal
magnitude e alcance. 2) "Chamou-me desde o
ventre, desde as entranhas de minha mãe fez menção
do meu nome", diz respeito à missão messiânica
de Jesus, concebido no ventre de Maria, e chamado
pelo nome antes do seu nascimento: "Conceberás
e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de
Jesus. Ele reinará eternamente sobre a casa de Jacó"
(Lucas 1.31, 33). 3) Somente Jesus seria a "luz
dos gentios" e a "salvação até à
extremidade da terra", como está no verso
"6". Esta não seria tarefa para o profeta
Isaías. 4) As expressão "fez a minha boca
como uma espada aguda", no verso 2, alude às
palavras do Messias esperado, palavras semelhantes a
uma espada afiada que penetra na consciência dos
homens: "... e da sua boca saía uma afiada
espada de dois gumes" (Apocalipse 1.16; 2.12,
16). A profecia, portanto, nada tem a ver com
preexistência das almas.
Salmo
139
Vejamos
alguns versículos desse salmo: "Ó Senhor, tu
me sondaste e me conheces. Conheces o meu assentar e
o meu levantar... conheces o meu caminho. Tu me
cercaste em volta. Para onde fugirei da tua face?
Pois criaste o meu interior; entreteceste-me [tecer,
armar, fazer] no ventre da minha mãe. Os teus olhos
viram o meu corpo ainda informe. Todos os dias que
foram ordenados para mim, no teu livro foram
escritos quando nenhum deles havia ainda".
Também mencionado como argumento de que a preexistência
das almas é aí ensinado. O Salmo 139 não é nada
mais nada menos do que uma revelação da onipresença
e da onisciência de Deus. Não se trata de uma
declaração da alma do salmista, que estaria
revelando situações ocorridas antes da formação
do corpo. O próprio espiritismo declara que, quando
encarnada, a alma não se recorda de sua vida
extracorpórea. Deus está presente em todos os
momentos de nossa vida, desde a concepção e, antes
desta, Ele já conhecia nosso destino: "Os teus
olhos viram o meu corpo ainda informe, e no teu
livro todas estas coisas foram escritas, as quais
iam sendo dia a dia formadas, quando nem ainda uma
delas havia". Deus tem um plano de salvação
para todos os homens. O primeiro passo foi dado por
seu Filho, na cruz. O passo seguinte é o nosso:
aceitar a Jesus como Senhor e Salvador e permitir
que o plano de Deus se realize em nossas vidas. O
salmista fala, também, do Juízo Final, quando diz:
"Ó Deus! Tu matarás, decerto, o ímpio. Vê
se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo
caminho eterno" (v. 19, 24). Aqui o salmista
busca a graça salvadora de Deus, para que possa
viver na eterna paz. Portanto, o Salmo 139 nada tem
a ver com preexistência das almas.
Mateus
18.8-9 - Marcos 9.42-48
"Se
tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o e
atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na
vida coxo ou aleijado do que, tendo duas mãos ou
dois pés, seres lançado no fogo eterno. E qualquer
que escandalizar um destes pequeninos que crêem em
mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço
uma grande pedra de moinho e que fosse lançado no
mar".
Jesus,
usando o recurso da linguagem figurativa, diz que
para entrarmos no reino Deus é necessário
cortarmos todas as ligações com o pecado, pois é
melhor vivermos uma vida de sacrifício, de repulsa
aos prazeres mundanos, do que sermos lançados no
inferno. Jesus advertiu sobre a imperiosa
necessidade de os crentes darem bons exemplos às
crianças, afastando-as das influências ímpias do
mundo; não induzirem pessoas à prática do mal; não
serem instrumentos de "escândalos" para a
perdição dos demais (drogas, bebidas,
pornografias, falsas doutrinas, filmes imorais,
piadas obscenas, prática do ocultismo). Portanto,
nada do que foi dito Por Jesus tem qualquer ralação
com preexistência da alma. Mais uma vez Jesus fala
do castigo eterno para os recalcitrantes, os duros
de coração, os ímpios.
Gênesi 25.22 "O
Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e
dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um
povo será mais forte do que o outro, e o mais velho
servirá ao mais moço".
Os versículos acima contam a história do
nascimento dos gêmeos Esaú e Jacó. Deus, de antemão,
sabia que desses dois sairiam duas nações e seriam
entre si antagônicas: os israelitas, descendentes
de Jacó, de cuja linhagem surgiria o Redentor; e os
edomitas, descendentes de Esaú. Esses "dois
povos" se hostilizaram e se guerrearam por
muitos e muitos anos. O maior exemplo desse
relacionamento conflituoso foi quando o rei de Edom
negou a passagem de Israel pelo seu território, por
ocasião do Êxodo (Números 20.21). A menção da
luta no ventre de Rebeca reforça o entendimento de
que desde o começo haveria desavenças entre Jacó
e Esaú no seio da família, e entre seus
descendentes, tal como aconteceu. A Palavra do
Senhor foi cumprida em sua inteireza. Portanto, nada
que possa legitimar o ensino da preexistência ou
reencarnação das almas encontra-se na passagem bíblica
sob análise.
MEDIUNIDADE - "DR. FRITZ"
O
Brasil todo assistiu ao desenrolar das apurações e
debates em torno do mais espetacular e desastroso
fenômeno de mediunidade de todos os tempos. Um milhão
de pessoas atendidas pelo médium Rubens Faria Júnior,
que diz incorporar uma entidade espiritual
denominada "Dr. Fritz". Num período de três
a quatro anos teriam sido realizados cerca de
duzentos mil atos cirúrgicos em doentes que
diariamente buscavam alívio para suas dores.
Esse espírito, "Dr. Fritz", há vinte
anos atua no Brasil. Foi incorporado de início pelo
médium Zé Arigó; depois, pelo médium Edson
Queiroz, e, por último, pelo médium Rubens.
Conforme declarações dos referidos canalizadores,
"Dr. Fritz" é o espírito de um médico
alemão falecido há muitos anos.
O trabalho de atendimento médico-cirúrgico do médium
foi suspenso como conseqüência de graves denúncias:
morte de uma jovem paciente, ocultação de cadáver,
enriquecimento ilícito, exercício ilegal da
Medicina, e outras. Nada temos contra a pessoa do
Sr. Rubens, que, diga-se de passagem, é vítima do
maior inimigo de Deus e dos homens, como veremos a
seguir. Pretendemos tão-somente analisar o fenômeno
espiritual em si, à luz da palavra de Deus, à luz
dos ensinos bíblicos. Para que os leitores possam
conhecer a extensão do problema, transcrevemos matéria
publicada no jornal O Dia, Rio, 6.2.99, sob o título
"DR. FRITZ SOB INVESTIGAÇÃO":
"A
briga entre o médium Rubens Faria Júnior, o Dr.
Fritz, e sua ex-mulher Rita de Cássia Costa Faria não
só ainda vai dar panos para mangas como está
virando escândalo. Policial. A Polícia Federal,
que entrou no caso para investigar possíveis crimes
de sonegação fiscal e remessas ilegais de dólares
para o exterior, feitas por Rubens, descobriu três
mortes, que teriam ocorrido no galpão de
atendimento do médium, na Rua Quito, na Penha. O
delegado Marcelo Bertolucci soube dos cadáveres
pelo segurança de Rubens - Nélson José Nunes Júnior
- preso no dia 26 de janeiro por porte ilegal de
pistola 9mm (arma privativa das Forças Armadas).
Ele confessou ter sido o responsável pela remoção
dos três corpos, pacientes do Dr. Fritz. Os cadáveres
não foram para o Instituto Médico Legal (IML) mas,
segundo Nélson contou no depoimento, para o
Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde existiria um
esquema montado para registrar os óbitos como se
fossem de internos daquele hospital. Essa semana, o
delegado Bertolucci pretende colher mais subsídios
com Nelson, para investigar as mortes. Mas ele não
estará sozinho. Ao saber da história pelo O DIA, o
superintendente de Saúde da Secretaria Estadual de
Saúde, Ricardo Peret, prometeu promover uma
auditoria ao HGV para cruzar os registros de óbitos
com os de entrada dos pacientes no hospital,
tentando confirmar a história.
A dor-de-cabeça que Rubens Faria terá a partir da
briga que vem mantendo com Rita, em torno da
partilha dos bens do casal, não pára por aí.
Tanto Rita como seu irmão, Sebastião Odilo Moreira
da Costa, que durante muito tempo auxiliaram Rubens
Faria quando ele incorporava o Dr. Fritz, agora o
acusam de charlatanismo. Sebastião, que no galpão
era conhecido como Renato, era quem organizava todos
os atendimentos, funcionando com uma espécie de
coordenador, tanto na Penha (RJ), como no bairro do
Ipiranga, na cidade de São Paulo. Ambos garantem
que demoraram a descobrir que tudo não passava de
um embuste. Eles dizem que a injeção que o médium
costumava dar nos pacientes não passava de um
fingimento. A seringa era abastecida com aguarrás,
álcool e iodo. "A injeção não era dada na
pessoa, mas num pedaço de gaze escondida na mão
esquerda do Dr. Fritz", afirmou Sebastião.
Rita não só confirma a história da falsa injeção
como põe mais pimenta na história do galpão.
Garante ter surpreendido o médium sozinho com moças
sem roupas na sala de cirurgia. Em depoimento que
assinou, confessa:
"senti uma grande vergonha de ter participado
daquela farsa".
Espírito
mau ou bom?
O
espiritismo não admite a existência de demônios,
Inferno, Juízo Final, Satanás, Diabo, pecado,
salvação pela graça, morte expiatória de Jesus,
condenação eterna, e outras doutrinas bíblicas.
Por isso, cristianismo e espiritismo são
irreconciliáveis. Portanto, a partir da crença espírita,
o Dr. Fritz é o espírito de uma pessoa falecida.
Resta saber se é um espírito bom ou mau. Hippolyte
Léon Denizart Rivail, que usa em seus livros o
pseudônimo Allan Kardec, o codificador das
doutrinas espíritas, afirmou que existem espíritos
capazes de tudo: mentirosos, enganadores, imitadores
de caligrafias e de vozes, perversos, orgulhosos,
semeadores de discórdia, criadores de sistemas
absurdos (e porque não criadores de doutrinas
absurdas), enganadores de médiuns, levianos,
vaidosos, medíocres, ambiciosos, capazes de todos
os ardis, etc. (O Evangelho Segundo o Espiritismo
(E.S.E.), de Allan Kardec, caps. XXI e XXVIII, págs.
335, 340, 342 e 414; Livro dos Médiuns, págs. 272,
281, 282 e 285). Se o Dr. Fritz é do grupo dos
perversos, então justificam-se as dificuldades
enfrentadas pelo "canal" Rubens, os
transtornos na sua vida conjugal, a morte de doentes
por ele atendidos, e de outras coisas mais. Ninguém
sabe quantas pessoas atendidas pela entidade
espiritual chamada Dr. Fritz ficaram em situação
pior, nem quantas sofreram ou morreram nas mãos dos
médiuns Zé Arigó e Edson Queiroz. Não se trata
do exercício legal de práticas religiosas,
assegurado na Constituição. O exercício da
mediunidade, nesses termos, equivale-se ao
curandeirismo.
Se os espíritas consideram como válida a hipótese
de o Dr. Fritz ser um espírito mau, seria de bom
alvitre fazê-lo "subir" numa sessão espírita
para tentar doutriná-lo, ou aconselhá-lo a
reencarnar. Então, a comunidade espírita
apresentaria mais tarde um novo Dr. Fritz, em
melhores condições de dar prosseguimento ao seu
trabalho. Entretanto, os defensores dessa idéia
estariam diante de algumas dificuldades: 1) Dr.
Fritz, usando de seu livre-arbítrio, poderia
recusar a reencarnação ou a conversão; 2) Os espíritos
bons presentes nessa sessão poderiam não ser tão
bons assim, porquanto, segundo Kardec, há espíritos
que enganam os médiuns; 3) Possibilidade de o Dr.
Fritz não atender ao convite, ou seja, não
"subir". Kardec consente nessa real
possibilidade quando diz no cap. XXVIII, pág. 447,
do Evangelho Segundo o Espiritismo:
"Os
maus espíritos são aqueles que ainda não foram
tocados de arrependimento; que se deleitam no mal e
nenhum pesar por isso sentem; que são insensíveis
às reprimendas, repelem a prece e muitas vezes
blasfemam do nome de Deus. São essas almas
endurecidas que, após a morte, se vingam nos homens
dos sofrimentos que suportaram e perseguem com o seu
ódio aqueles a quem fizeram mal durante a vida,
quer obsidiando-os, quer exercendo sobre eles
qualquer influência funesta. Duas categorias há
bem distintas de Espíritos perversos: a dos que são
francamente maus e a dos hipócritas. Infinitamente
mais fácil é reconduzir ao bem os primeiros do que
os segundos. Aqueles, as mais das vezes, são
naturezas brutas e grosseiras, como se nota entre os
homens; praticam o mal mais por instinto do que por
cálculo e não procuram passar por melhores do que
são".
Kardec
acertou na descrição das qualidades desses espíritos
malignos, mas errou em não chamá-los de demônios
liderados por Satanás, o maior inimigo de Deus e
dos homens.
Se bem entendi, os maus se dividem em maus de
verdade, e hipócritas. Os maus, genuinamente maus,
são de fácil recuperação e podem ser doutrinados
facilmente. Com jeitinho aceitam reeencarnar para
sofrerem em muitas outras vidas. Já os hipócritas
são osso duro de roer. Ora, os maus são bons
ouvintes que procuram seguir os conselhos. Os maus
hipócritas são da pesada. Tenho a impressão que
muitos leitores estão perguntando onde o francês
León Hippolyte Denizart Rivail foi buscar essas idéias.
Como os espíritas não acreditam em Juízo Final ou
Inferno, espíritos dessa espécie ficarão por aí
fazendo o mal eternamente sem serem molestados, e
Deus sem nada fazer, até porque "Deus não
mandaria um filho seu para o castigo eterno",
como argumentam os espíritas.
Admitida
a hipótese de ser Dr. Fritz um espírito bom,
teriam que explicar porque a vaca foi pro brejo, ou
seja, porque as coisas desandaram. Os espíritos
bons, no entender da doutrina espírita, protegem e
ensinam o bom caminho. Logo, o Dr. Fritz não
permitiria que o trabalho mediúnico fechasse as
portas. Digo isto porque, segundo Kardec, Deus se
comunica com os homens SOMENTE através dos espíritos
bons. Fico a meditar se Deus, soberano e ilimitado,
estaria limitado nas suas comunicações. Em resumo,
entendo que o médium Rubens não incorpora um bom
espírito, porque um bom espírito ter-lhe-ia dado
total proteção para o êxito no exercício da
mediunidade.
A
hipótese de o Sr. Rubens ser médium e não ser espírita
não encontra respaldo nos ensinos kardecistas.
Kardec declara que os "médiuns receberam de
Deus um dom gratuito", ou seja, "o de
serem intérpretes dos Espíritos, para instrução
dos homens, para lhes mostrar o caminho do bem e
conduzi-los à fé...". Não esclarece em quem
é a fé. O médium, segundo a doutrina espírita,
é um canal (daí a expressão moderna de
"canalizador") por onde fluem os espíritos
dos mortos. Os bons espíritos ouvem a Deus, recebem
de Deus as instruções e as repassam aos homens,
diz o espiritismo. É por essas e outras que Kardec
considera o espiritismo a Terceira Revelação de
Deus. Resumindo, temos: Kardec diz que médium é o
que incorpora espíritos de mortos; o Sr. Rubens diz
que incorpora espíritos de mortos; logo, o Sr.
Rubens é médium. Nem todo espírita é médium;
mas todo médium é espírita. Como também nem todo
médico é cardiologista, mas todo cardiologista é
médico. Creio que a maioria dos espiritistas
aspiram à mediunidade. E os líderes incentivam os
novos a essa prática: "você tem mediunidade e
precisa desenvolvê-la". A mediunidade é para
o espiritismo, como a enxada é para o lavrador.
Logo, não se pode dissociar a mediunidade do
espiritismo. Nós, cristãos, sabemos que não são
espíritos de pessoas falecidas que eles incorporam.
Outra
hipótese é a que não aceita as qualidades mediúnicas
do Sr. Rubens, e, portanto, não o tem como espírita.
Seria um pseudo-médium, charlatão, trapaceiro. Os
que assim pensam certamente enfrentam alguma
dificuldade em explicar:
1) A comunidade espírita engoliu por muitos anos a
farsa sem nada perceber?
2) Idem, idem, com relação aos médiuns Zé Arigó
e Edson Queiroz?
3) Os bons espíritos, que "sobem" ou
"descem" nas centenas de sessões por esse
Brasil a fora, não falaram nada, não deram nenhuma
dica, levando em conta que estava em jogo o conceito
da mediunidade, o conceito do espiritismo, o
conceito dos próprios bons espíritos?
4) A comunidade de médiuns, embora sabendo da
farsa, resolveu silenciar? Não há como, com os
"dons" mediúnicos disponíveis, detectar
um falso médium?
5) As alterações de voz e semblante observáveis
no Sr. Rubens, quando este se diz possuído pelo Dr.
Fritz, denunciam ou não a presença de uma entidade
espiritual?
6) Se se trata de uma farsa, o que dizem milhares de
pessoas que estiveram com ele?
7) Como explicar os cortes cirúrgicos - de peles,
nervos e ossos - sem que as vítimas demonstrassem
sentir qualquer dor?
Os
mortos não voltam
Segundo os
ensinos da Palavra de Deus os mortos não voltam. O
princípio é que os mortos nada podem fazer pelos
vivos, e estes, nada, pelos mortos. Após a morte do
corpo, o espírito segue para um lugar determinado,
para a paz eterna ou para o eterno sofrimento. Assim
diz o Senhor Jesus:
"Porque
Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que
condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo
por ele. QUEM NELE CRÊ NÃO É CONDENADO, MAS QUEM
NÃO CRÊ JÁ ESTÁ CONDENADO, PORQUE NÃO CRÊ NO
NOME DO UNIGÊNITO FILHO DE DEUS" ( João
3.17-18).
Da
parábola do "rico e Lázaro", proferida
pelo Senhor Jesus, ficamos conhecendo a que tipo de
condenação Ele se referiu. Deduz-se que os mortos
se encontram em lugares já definidos, sem condições
de mudança e sem permissão para se comunicarem com
os vivos. O rico - não pelo fato de ser rico, mas
porque idolatrava sua riqueza - estava num lugar
infernal, em tormentos; e Lázaro, em um lugar de
gozo e paz.
JESUS É A
VERDADE
Não
é demais lembrar que o espiritismo exalta as
qualidades morais de Jesus, embora não o reconheça
como Senhor e Salvador. Kardec não diz que Jesus é
totalmente mentiroso. Ele afirmou que "o Cristo
veio ensinar aos homens a justiça de Deus";
que "no Cristianismo encontram-se todas as
verdades"; que "o Cristo foi o iniciador
da mais pura, da mais sublime moral, da moral evangélico-cristã,
que há de renovar o mundo, aproximar os homens e
torná-los irmãos". Ora, o cristianismo,
religião fundada pelos discípulos de Jesus, tem
por base doutrinal os ensinos do Mestre, a Sua condição
de Cristo, o Messias, Sua morte expiatória, Sua
ressurreição, dentre outros. Kardec se rende às
divinas mensagens do Senhor Jesus, mas ensina que o
tempo do Senhor Jesus já passou; que o espiritismo
é a Terceira Revelação de Deus; que a alma humana
se instalou inicialmente em macacos; que a alma
salva-se a si mesma, etc. Kardec se contradiz.
Aproxima-se do cristianismo e o reconhece como o
caminho da verdade, mas nega essas verdades. Usou o
cristianismo para apresentar sua tese, qual planta
trepadeira que busca sustentação e vida nas árvores
robustas.
A
que conclusão quero chegar? Concluir que todas as
palavras pronunciadas pelo Senhor Jesus, suas
mensagens e parábolas, devem ser aceitas e acatadas
pelos espiritistas, sob pena de se colocarem em
atitude de rebelião contra Kardec ou, copiando o
mestre, cair no contraditório. Daí porque deve ser
considerada veraz a palavra do Senhor Jesus, e
reconhecida a autenticidade dos livros bíblicos por
Ele citados, tais como os livros da lei mosaica, o
livro de Salmos, a palavra dos profetas, o livro de
Jonas, o de Isaías, as palavras de seus apóstolos,
que dEle receberam instruções e, por extensão,
toda a Bíblia Sagrada. Os espíritas costumam
acreditar em algumas mensagens do Senhor Jesus, e
rejeitar outras. Como se Ele fosse verdadeiro em
apenas parte do que falou e ensinou. Como se Ele
fosse metade mentira, metade verdade. Em João
17.17, o Senhor Jesus, intercedendo pelos discípulos,
diz: Santifica-os na verdade; A TUA PALAVRA É A
VERDADE. Logo, a Palavra santifica e contribui para
que a fé nasça nos corações dos homens. O próprio
Jesus declara: EU SOU O CAMINHO, A VERDADE, E A VIDA
(João 14.6). Ora, Kardec disse que Senhor Jesus
ensinou a justiça de Deus, que Deus revelou-se
nEle, que o cristianismo contém todas as verdades,
e que a missão de Jesus foi divina.
Kardec
foi muito esperto na elaboração de sua doutrina.
Colocou o Senhor Jesus nas alturas, e disse que o
cristianismo é a verdade. Porém, quando se vê
encurralado dá o pulo do gato. Ele simplesmente diz
que o Senhor Jesus não estava falando sério quando
se referiu a Satanás e seus demônios, os quais,
para Kardec, seriam tão-somente espíritos
atrasados, impuros, mas que um dia chegarão à
perfeição. No Livro dos Espíritos, questão 131,
referindo-se a Jesus e a satanás, diz:
"Não
se sabe que a forma alegórica é uma das características
de sua linguagem?
Em
síntese, Kardec está duvidando da seriedade do
Senhor Jesus. Para Kardec, Jesus estava brincando
quando ordenou que Satanás saísse de sua presença
(Mateus 4.10); quando classificou o Diabo de
homicida e pai da mentira (João 8.44); quando
libertou uma mulher das amarras de Satanás (Lucas
13.16); quando outorgou poderes aos crentes para
expulsarem demônios (Marcos 16.17).
QUEM É O DR. FRITZ?
Tenho
dúvida se ele é o próprio Satanás, se um simples
demônio, ou, quem sabe, um grupo de demônios, uma
falange como disse o médium Rubens. Muito bem disse
Kardec quando afirmou que eles mentem, falsificam, são
perversos ao extremo, capazes de tudo. Errou por
muito pouco não lhes dispensando a denominação
correta, a correta denominação que o Senhor Jesus
lhes deu. Capazes de tudo, astutos, inteligentes e
organizados, esses demônios dizem que são espíritos
desencarnados (coitadinhos!); enganam os incautos
nas sessões espíritas, imitam caligrafias de
pessoas falecidas e suas vozes; falsificam quadros
de pintores famosos; tomam posse dos corpos dos que
invocam seu nome; e, como vimos no fenômeno
Rubens/Fritz, cortam corpos e matam.
A entidade incorporada pelo médium Rubens não é
um espírito desencarnado, mau ou bom. É maligno o
espírito por ele recebido, qualquer que lhe seja o
nome dado: exu, preto-velho, satanás, diabo, demônio,
pomba-gira, caboclo, capeta, belzebu, espírito-guia,
espírito mau, espírito malfazejo, espírito
perverso, iemanjá, orixá, tranca-rua, ogum, oxóssi,
xangô, omolu, iansã, oxum, caboclo, espírito-guia,
ou Dr. Fritz.
LOUVADO
E ENGRANDECIDO SEJA
NOSSO SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO!
B
I B L I O G R A F I A
ANKERBERG,
John (e John Weldon) - Os Espíritos-Guias (The
facts on Spirit Guides), 1988.
BEZERRA,
Edir Macedo - Orixás, Caboclos e Guias, 1993.
BIBLIA
DE ESTUDO PENTECOSTAL - Almeida Revista/corrigida.
COSTA,
Jefferson Magno - Porque Deus Condena o Espiritismo,
1957.
KARDEC,
Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo, 1985; O
Livro dos Espíritos, 1997.
LEWIS,
C.S. - Milagres, Um Estudo Preliminar, 1947
OLIVEIRA,
Raimundo F. de - Seitas e Heresias de Todos os
Tempos, 1993; As Grandes Doutrinas da Bíblia, 1949.
(Elaborado
pelo Pr Airton Evangelista da Costa, AD Palavra
da Verdade, em Aquiraz-CE)
|